Publicado por: Conselheiro Fnord | 03/12/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: Fui usado por Deus

Em 2013, na Sexta-feira Santa que antecede o Domingo de Páscoa, eu havia passado um alegre e longo dia em família na casa de uma das minhas tias preferidas. A morte de Jesus Cristo, de acordo com a tradição cristã daquele feriado, simboliza o perdão divino sobre os pecados da humanidade. O sangue de Cristo fora derramado na cruz do Calvário por sua culpa, minha culpa. Deus, o criador de todo o Universo, disposto a conceder sua misericórdia para salvar milhões de vidas pecaminosas, não teve outra escolha senão enviar o seu único filho para ser torturado e morto em nosso lugar. Esta é a maior demonstração de amor que alguém seria capaz de imaginar: permitir que o próprio filho seja abatido feito um animal e exibido em público como um pedaço de carne pendurada no açougue.

Porém, era estranho como eu não me sentia espiritualmente envolvido nisso. Talvez porque a minha namorada viera de muito longe para me encontrar, e pensar no sacrifício do nazareno era incompatível com as fantasias eróticas que tínhamos em mente (a sexta-feira pode até ser santa, mas eu não). No final da tarde, quando os últimos raios de sol formavam uma penumbra agradável, meus pais e a minha avó septuagenária, junto com minha namorada e eu, decidimos voltar para casa.

Optando por um atalho, tivemos que atravessar uma rua estreita onde um automóvel branco estava posicionado de modo irregular, obstruindo a nossa passagem. Meu pai, que já estava levemente inebriado pelo vinho, desceu do carro e saiu à procura do proprietário do veículo mal estacionado. A situação começou a ficar embaraçosa quando um homem, de feição grosseira e com um bafo de cachaça que teria asfixiado até o próprio demônio, disse em tom arrogante que, se meu pai não conseguia passar com o carro, que ele mesmo o faria. É claro que eu não permiti que um estranho sentasse a bunda no banco do motorista e fizesse alguma barbeiragem, assustando a minha avó que estava no carona.

Pedi em tom sério que ele não ousasse invadir o carro e tomasse distância de mim. A essa altura, minha mãe já havia acionado uma viatura policial e, para intimidar o bêbado problemático, desembolsou seu distintivo da Polícia Civil. Inesperadamente, como se eu tivesse sido atraído por um imã, dei um soco potente no sujeito, e senti uma dose de prazer ao vê-lo perder o equilíbrio e tombar. A mulher que me trouxe ao mundo nada fez além de exibir sua carteira de identificação policial, quando foi covardemente agredida pelo ogro. Eu poderia ter me transformado no Incrível Hulk, mas me concentrei para não piorar as coisas fazendo mais do que agir em defesa de quem me deu à luz. Entretanto, aquele dia teria um trágico desfecho se eu não tivesse enfrentado a cólera do meu pai. Quando me dei conta, ele já havia sacado a pistola que trazia consigo, e foi então que Deus me usou…

Pude impedir que o ogro problemático recebesse uns furos no corpo. A trilha sonora formada pela algazarra da vizinhança e pelos gritos de desespero da minha namorada não parava de tocar. Mesmo assim, fiz de mim uma muralha à frente do meu pai e dei um prazo para que o homem fugisse em seu veículo cantando pneu. “Você foi usado por Deus”, disse minha mãe emocionada. Ouvi a mesma frase centenas de vezes. Deus fez de mim um instrumento, e eu estava prestes a aceitar a missão de servi-lo daquele dia em diante, convencido da providência divina. Fui investido de algum poder sobrenatural, e fiz uso dele para cumprir o meu dever de preservar a reputação da minha família, a profissão de meus pais e a vida de um estranho.

Mas o Diabo não ficou contente ao perceber que eu seria um recruta a menos em seu exército. Afinal, ser usado por Deus significa impedir o assassinato de um homem? Significa fazer a coisa certa? Como Deus se atreve a reivindicar para si uma atitude que me pertence e que assumi como sendo da minha inteira responsabilidade? Passaram-se os dias e a fé em mim nutrida deu lugar ao mistério e à incerteza. Logo criei coragem para questionar os propósitos do Criador e só então descobri que não nasci para ser guiado por um ventríloquo.

Comer o fruto proibido me deu a chance de conhecer o bem e o mal, e uma vez que você descobre que as virtudes humanas não provêm de divindades, anjos ou demônios, o retorno ao antigo estado de escravidão se torna a vergonha da nossa espécie.

Ricardo Silas

Sou um livre pensador, ateu (cético). Faço estudos sobre o anarco-comunismo e as revoluções históricas. Sou reformista gradual em questões políticas. Aprendi a nunca ser um espectador da injustiça e da estupidez: o túmulo fornecerá muito tempo para o silêncio.

FONTE: http://www.bulevoador.com.br/2015/12/fui-usado-por-deus/

Publicado por: Conselheiro Fnord | 26/11/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: O buraco da agulha religioso

A religião pode ser interpretada como contos de fadas. Personagens contrastantes, rasos, maquiavélicos ou incrivelmente iluminados em sua sabedoria e humildade de espírito. Contracenando com cobras e burros falantes, anjos ameaçados de estupro, virgens que engravidam, carruagens que ascendem aos céus com fulgor, deuses disfarçados de cisnes para transar com moças virgens e amaldiçoar outras com cabeças de serpente por resistirem. Entretanto há outro ponto característico dos contos de fadas que associo à religião: Expectativas divinas para condições de humanidade.

A religião costuma exigir de seus fieis doutrinas e leis baseadas em pressupostos morais inatingíveis ao pobre cidadão comum que vai para o inferno por recolher lenha ao sábado, tomar café, passar a madrugada com pornografia e não ter pedir perdão por esses pecadinhos (HARAM!) antes de morrer. Aliás, dentro do cristianismo não existem proporções de pecado maior ou menor, não passam todos de pecado. Mentir possui o mesmo peso que matar, independente de quais sejam os motivos. Todos são condenados à boca insaciável do inferno.

Entretanto, como todo perspicaz ser vivente desta terra, o ser humano faz o que pode para encontrar “brechinhas” em suas leis para que possa exercer seus desejos, principalmente se possui um aval de status quo lhe garantindo privilégios que reles mortais não possuem. Nos casos comuns recriar gêneros musicais que possuem origem no mundanismo como “White metal, rock gospel, pagode gospel, funk gospel, forró gospel, eletrobrega gospel (?)” Já há . Esperando pornografia gospel, ácido gospel e strippers evangélicos (a).

Um caso realmente inusitado é a criação do primeiro sex shop islâmico halal em Londres e o dono do local afirma que seus líderes religiosos garantem a comercialização dentro das normas da Sharia. Será que junto ao vibrador vem um kit apedrejamento, mais uns disparadores de ácido, caso sua esposinha rebelde resista à suas investidas? Talvez uns 5 homens de brinde para o estupro coletivo? (com certeza o farão com muita verossimilhança). O vendedor garante que não há exposição de pornografia e que possui um público alvo voltado para casais que desejam incrementar sua vida sexual e prolongar o matrimônio.

Nos primeiros exemplos é engraçado ver as inúmeras tentativas destas pessoas se manterem fieis aos preceitos morais e doutrinais adaptando o que elas amam no aspecto mundano e purificando para as narinas do Senhor. Tanto no caso dos cristãos como do Sex Shop Halal não há nada intrinsecamente prejudicial, pelo contrário, é positivo que a vida sexual mesmo que a passos lentos, ainda ande. Entretanto, há espaço para compaixão: Estas pessoas realmente se obrigam a seguir regras limitando os aspectos experienciais que poderiam viver com intensidade e honestidade insistindo ao contorcionismo moral para que seus desejos sejam saciados dentro das possibilidades nos quais não há nenhuma “reprimenda” específica em seus livros sagrados. Se há milhares de anos não existia sex shop e por isso uma proibição não seria necessária, não importa. Se o livro sagrado ou a Sharia não condenam, não há porque proibir mesmo que por dedução lógica pareça incoerente com o contexto do texto completo.

Estas situações são extremamente inofensivas comparadas aos casos mais graves de “brechas” religiosas que permitem a liberdade dos mais poderosos que poucos tem acesso. Um dos mais chocantes é a milenar prática afegã chamada de Bacha Bazi no qual meninos jovens afeminados são maquiados, vestidos de mulheres, usando burca, peitos postiços para dançar entre homens ricos e mais velhos. Dançam cerca de 2 a 3 horas por 2 dólares e muitos após a farra dos “Sheikes” são abusados em hotéis ou suas casas de luxo. Os homens reconhecem apenas como um esporte. No Afeganistão, uma terra devastada pela guerra, recolher meninos novos das ruas não é uma tarefa difícil pela necessidade de comida, também pela indiferença, negação populacional e até das autoridades que isto ainda aconteça. O aspecto de brecha se encontra onde? Pelo fato que meninas dançarem dessa maneira é proibido pela lei islâmica e a Sharia, mas nada diz sobre meninos.

Há ainda algo bem controverso no mundo islâmico, um costume chamado Nikah mut‘ah que consiste em uma cerimônia de casamento privada com a intenção de duração de 2 a 3 dias. Esse costume divide sunitas e xiitas quanto a população em geral, pois alguns dizem que Maomé já havia proibido tal prática como também comer carne de jumento. A mulher deve ser casta, não pode ser virgem e após o divórcio precisa permanecer algum tempo sem ter relações sexuais. Ela não é escrava nem esposa. O que ela seria então nas grandes possibilidades de nuances numa sociedade que proíbe a prostituição e se vangloria que tal prestação de serviços não existe?

É muito recorrente o quanto religiosos e dogmáticos olham com censura para os infiéis, hereges merecedores do inferno dissimulados de crença e sinceridade, mas se banham na inveja e então fazem o possível para encontrar brechinhas em suas leis para compensar seus desejos reprimidos e obsessões proibidas. Há mais sabido ainda que quanto maior a proibição, maior a obsessão e consequentemente associação ao tema em qualquer situação cotidiana. Se o sexo é ruim, se deve persegui-lo de todas as formas, então há sexo por todos os lados, mas é ilícito e por uma “ironia” do destino que nada mais é que uma consequência lógica, só fomenta e alimenta o desejo de consumi-lo, obtê-lo e quando não se consegue, melhor impedir quem o faça.

O ocidente é sujo, que dá liberdade às mulheres e por isso decadente, entretanto não há nada tão sedutor, não é?! A hipocrisia das religiões é latente e ela se revela em cada expressão de uma liberdade no qual o afã se mascara e justíssimo entre os buracos do lençol. E todos estes esforços se originam no que nas noções idealizadas de um comportamento inatingível. Se fosse fácil, os esforços não seriam descomunais e a maior parte das pessoas conseguiria seguir tais ordens, ao invés de dissimulá-las com supostas auras de santidade.

Publicado por: Conselheiro Fnord | 25/11/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: POP

Campo de POP – Problema de outra pessoa

Em um breve resumo, seu problema não é meu, ou, aquilo que não me interessa, não existe. Isso é uma doença de comodismo da atual sociedade, que gera um reflexo do atual tempo que vivemos. Exemplo clássico, são aqueles mendigos que vemos nas ruas, extremamente magros ou drogados, que passamos por eles e apenas olhamos e dizemos, nossa, viramos para o outro lado e continuamos nossas vidas, ou como muitos, nem olhamos (não percebemos a existência do mesmo naquele local por causa de um campo de POP), pois não queremos saber que aquilo existe ao nosso lado.

A baixo um artigo muito bom retira do livro “Guia do Mochileiro das Galáxias – A vida, o universo e tudo mais de Douglas Adams que conta isso de uma mais engraçada porem verídica.

Campo de POP – Problema de outra pessoa

“Um POP é alguma coisa que não podemos ver, ou não vemos, ou nosso cérebro não nos deixa ver porque pensamos que é um problema de outra pessoa. É isso que POP quer dizer: Problema de Outra Pessoa. O cérebro simplesmente o apaga, como um ponto cego. Se você olhar diretamente para ele, não verá nada, a menos que saiba exatamente o que é.”

Campo de POP (Problema de Outra Pessoa) faz com que os problemas considerados alheios sejam completamente ignorados pelas pessoas que os veem, graças à tendência natural que temos aopoucosefudismo(termo técnico para a capacidade de não dar a mínima).

Os campos de POP estão presentes no nosso cotidiano em maior parte ao redor de repartições públicas, empresas de Telecom e ao redor de todo o resto do mundo, a partir do ponto de vista de um auto-proclamado sofredor.

Sofredores auto-proclamados são uma classe inteira de pessoas que têm a capacidade de criar campos de POP ao redor de absolutamente tudo, graças ao seu poder de auto-convencimento da suprema importância de seus problemas. Os problemas de absolutamente todo o resto do mundo são completamente banais e portanto ignoráveis em comparação ao deles. Este fenômeno é especialmente notado em meninas adolescentes, empregadas domésticas, pobres e outros pouco-mais-que-símios em geral. Também é conhecido como “a grama do vizinho é sempre mais verde” pelos mais otimistas.

Obviamente uma boa dose de campos de POP é necessária para uma vida saudável. Aqueles que se preocupam com todos os problemas de todo o mundo são chamados de mártires, loucos ou hipócritas.

FONTE: https://fuop.wordpress.com/2011/02/21/campo-de-pop-%E2%80%93-problema-de-outra-pessoa/

Publicado por: Conselheiro Fnord | 24/11/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: Rússia proíbe Igreja da Cientologia

Justiça diz que igreja, registrada como marca comercial, viola lei.
Registrado desde 1994 no país, grupo reúne 10 mil fiéis e deve recorrer.

A justiça russa proibiu nesta segunda-feira (23) a Igreja da Cientologia no país, ao considerá-la uma violação à lei sobre a liberdade religiosa.

Um tribunal de Moscou afirmou que a Igreja da Cientologia, que é registrada na Rússia como uma marca comercial, não pode ser considerada uma organização religiosa, segundo a imprensa local. Dessa forma, o tribunal atendeu o pedido do Ministério da Justiça, que ordenou a dissolução da organização em até seis meses.

Representantes do grupo repudiaram hoje os argumentos do tribunal, negaram ter violado a lei federal russa e disseram que recorrerão.

"A decisão não é definitiva e entraremos com um recurso", disse um dos porta-vozes.

A Igreja da Cientologia, que é registrada na Rússia desde 1994, considera que sua dissolução viola os direitos de seus 10 mil fiéis no país.

Em agosto, a polícia iniciou um caso penal contra a organização por posse ilegal de equipamentos de escuta e recolhimento de informação sobre a vida privada das pessoas após uma inspeção em sua sede na capital russa.

Existem quatro confissões cunhadas como oficiais na Constituição russa – a religião ortodoxa, o islã, o budismo e o judaísmo -, embora também haja minorias católicas e protestantes, entre outras.

A Igreja da Cientologia, fundada na Califórnia em 1953 pelo escritor de ficção-científica Ronald Hubbard e que conta com famosos integrantes como os atores Tom Cruise e John Travolta, é proibida em vários países europeus.

FONTE: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/11/russia-proibe-igreja-da-cientologia.html

"A Crença de um Homem é o Riso Incontrolável de Outro…"

Provérbio Discordianista

Publicado por: Conselheiro Fnord | 17/11/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: Religião e seus dilemas insustentáveis

Da Bíblia e do Corão se extraem mensagens de amor e ódio, de guerra e paz, de luz e trevas, de sabedoria e ignorância. Sempre que algum fanático religioso busca uma aprovação imediata para suas práticas criminosas, são aos livros sagrados que eles recorrem. É permitido a qualquer ser humano apedrejar e enforcar adúlteras, decapitar apóstatas, acender fogueiras contra hereges, perseguir homossexuais e imolar a genitália de recém-nascidos, contanto que haja um pretexto sobrenatural que sirva de justificativa. A serenidade do “ama a teu próximo” e a estupidez do dogmatismo estão inscritos no mesmo cardápio das escolhas que os crentes podem fazer.

A versão mais pacífica do islã, por exemplo, repudia as facções islâmicas que infligem a pessoas inocentes um terror implacável. No mundo cristão, evangélicos e católicos já erguem as bandeiras que defendem a laicidade do Estado e a causa dos homossexuais, em contraponto aos homofóbicos e teocratas que semeiam a ignorância e a desgraça por onde passam. Quando defendem o islamismo como uma religião de paz, os muçulmanos são, ao mesmo tempo, corajosos e ridiculamente covardes. Corajosos porque arriscam a própria segurança ao condenarem a fábrica de ódio, destruição e pânico que são as vertentes mais radicais do islamismo, e covardes porque jamais condenariam, com a mesma intensidade, os trechos do Corão que disseminam a guerra e o massacre dos infiéis.

Quando um mártir enche seu corpo de explosivos e os detona em meio à multidão, seu único desejo é satisfazer a vontade de Alá, posteriormente desfrutando de suas 72 virgens no paraíso; quando Salman Rushdie escreveu Os Versos Satânicos, foi decretada uma fatwa para que a sua pena de morte fosse cumprida; quando os jihadistas invadiram o jornal francês Charlie Hebdo e aniquilaram os cartunistas ali presentes, eles acreditavam estar obedecendo ordens do profeta Muhammad. Nada disso é invenção de terroristas e conspiradores da fé islâmica, e sim parte dos ensinamentos corânicos do hadith e da lei de sharia que, do ponto de vista religioso e histórico, precisam ser executados até que este mundo decaído seja conquistado para a honra e glória de Alá.

Precisamos descobrir quantos islâmicos diriam ao Criador do Universo que o Corão, além de brevemente servir como um manual de paz, é também um manifesto anti-humano de malvadezas: “Sobre os incrédulos, que morrem na incredulidade, cairá a maldição de Deus, dos anjos e de toda a humanidade, e essa maldição pesará sobre eles eternamente. O castigo não lhes será atenuado, nem lhes será dado alívio algum” (2, 161-2); “A luta é obrigatória para vós, ainda que vós a repudieis. Pois é possível que repudieis algo que seja bom para vós, e talvez vos agrade algo que vos é prejudicial” (2, 216). E, para finalizar: “aqueles que negarem a revelação de Deus sofrerão severo castigo; pois Deus é poderoso, e vingador” (2, 272).

Embora os muçulmanos sejam moderados e sinceros ao renegarem o terrorismo, eles continuam covardes ao não contestarem as ordens supremas do seu deus. Absolutamente o mesmo desprezo dado aos cruéis e desumanos terroristas cabe também a Alá. Ainda que a Bíblia e o Corão contenham certa erudição e nos prestigiem com alguns sábios provérbios, nenhum deles é capaz de provar que os preceitos divinos não são moralmente problemáticos, vacilantes e contraditórios. Há mais de dois mil anos, Platão descreveu, em um de seus memoráveis diálogos, uma indagação que Sócrates fez ao jovem Eutífron: o piedoso é amado pelos deuses porque é piedoso, ou é piedoso porque é amado pelos deuses? Chegou a hora de romper o nosso pacto com os deuses e buscar uma solução racional para os nossos dilemas.

Ricardo Silas

Sou um livre pensador, ateu (cético). Faço estudos sobre o anarco-comunismo e as revoluções históricas. Sou reformista gradual em questões políticas. Aprendi a nunca ser um espectador da injustiça e da estupidez: o túmulo fornecerá muito tempo para o silêncio.

FONTE: http://www.bulevoador.com.br/2015/11/religiao-e-seus-dilemas-insustentaveis/

Lindsay Miller conseguiu na Justiça o direito de manter foto.
Ela é seguidora da satírica ‘Igreja do Monstro do Espaguete Voador’

A americana Lindsay Miller conseguiu na Justiça o direito de manter na carteira de motorista uma foto em que aparece com um escorredor de massas na cabeça. Ela obteve a permissão no estado de Massachusetts (EUA).

Lindsay Miller diz seguir 'Igreja do Monstro de Espaguete Voador' (Foto: Darrick Fauvel/AP)
Lindsay Miller diz seguir ‘Igreja do Monstro do Espaguete Voador’ (Foto: Darrick Fauvel/AP)

Lindsay Miller havia processado o Registro de Veículos Automotores de Massachusetts, alegando que o objeto (escorredor) representa suas crenças na Igreja do Monstro do Espaguete Voador, um culto satírico fundado em 2005 por Bobby Henderson.

Henderson criou o "Pastafarianismo" em protesto contra a decisão do sistema educacional do estado americano de Kansas de requerer o ensino do criacionismo como alternativa ao evolucionismo biológico.

FONTE: http://g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2015/11/na-carteira-de-motorista-americana-exibe-foto-com-escorredor-na-cabeca.html

Publicado por: Conselheiro Fnord | 09/11/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: Sobre a Blasfêmia…

Galileu é “veementemente suspeito por este Santo Ofício de heresia, isto é, de ter aceito e crido na doutrina (que é falsa e contrária às Sagradas e Divinas Escrituras) de que o sol é o centro do mundo, e que não move do leste ao oeste, e que é a terra que move, e não é o centro do mundo (…)”
Sentenciamento na Inquisição de Galileu,

22 Junho de 1633

Todo filósofo, profeta, cientista e grande reformador político e social do seu tempo começou como herege. Maomé blasfemou contra a ordem social politeísta de Meca; Jesus, contra o legalismo monoteísta do Templo; e Moisés, antes deles, contra os ídolos dos Filhos de Israel. O direito à heresia, à blasfêmia e a falar contra o dogma prevalecente é tão sagrado e divino quanto qualquer ato de prece. Se nossa liberdade conquistada a duras penas, nosso desejo de ser irreverentes ao antigo e de questionar o novo, pode ser reduzida a um direito básico e indispensável: deve ser o direito à livre expressão. Nossa liberdade de expressão representa nossa liberdade de pensar, nossa liberdade de criar, inovar e progredir. Você não pode matar uma ideia, mas pode com certeza matar uma pessoa por expressá-la. Pois, se liberdade significa alguma coisa em absoluto, é o direito de nos expressarmos sem sermos mortos por isso.

A importância do liberalismo internalizado na sociedade britânica contemporânea veio a representar a pedra angular do pensamento liberal democrata moderno.[1] Este artigo visa a estender essa noção argumentando que o liberalismo é uma ideia que deve ser afirmada ativa, universal e externamente, entre e através das comunidades, culturas e fronteiras. Um certo neo-orientalismo nos tomou conta sorrateiramente, em parte em reação ao militarismo fracassado dos anos neoconservadores, mas principalmente em virtude de atitudes autocríticas históricas para com o Império Britânico. Este neo-orientalismo interpreta o liberalismo como um construto ocidental mal adequado a culturas não-ocidentais. Liberais batalhadores dissidentes dentro de contextos de comunidades minoritárias descobrem que não têm inimigo maior do que estes neo-orientalistas que dão credibilidade à ideia de que eles são de algum modo uma expressão inautêntica da sua cultura ‘nativa’. Esta visão, ao adotar a relatividade moral, reduz outras culturas a clichés preguiçosos, romantizados e estatísticos. Pior ainda, acaba não só tolerando mas promovendo ativamente práticas iliberais em nome da autenticidade cultural, até onde tais práticas promovidas são de fato neofundamentalismos a-históricos inautênticos.

Há uma grande traição das minorias-dentro-das-minorias em ação. O preço desta traição na Grã-Bretanha moderna são guetos monoculturais que suprimem as oportunidades das minorias aquiescendo ao silenciamento da vozes inovadoras, em nome desta pressuposta autenticidade cultural. Somente através da reafirmação universal da livre expressão que estas vozes silentes têm qualquer chance de ser ouvidas. Liberdade de expressão não é um ideal “ocidental”, mas sim um ideal humano.

Globalização e identidade
A rápida globalização ajudou a erodir a identidade nacional. Encorajada por inovações no transporte e nas comunicações internacionais, testemunhamos, antes, um surgimento de identidades transnacionais laterais que se estendem para além das fronteiras, ao invés de para dentro delas, a fim de encontrar afinidade. Consequentemente, bolsos de paroquialismos anteriormente isolados estão se conectando, oferecendo um senso de pertencimento a causas globais além das fronteiras geográficas.
Um temor comum é que viver em sociedades multiétnicas e multirreligiosas leva à desintegração da cultura de um indivíduo. Alguns, especialmente os que vêm de comunidades minoritárias, sentem a necessidade de se protegerem contra esta ameaça agarrando-se ardentemente a, e exagerando, uma forma tacanha da sua identidade étnica ou religiosa. ‘Diferenças culturais’ são portanto enfatizadas e limitadas mais do que seriam em outra situação.

É claro que é possível fazer isso de uma maneira sadia, e muito fazem. Mas algumas inseguranças culturais modernas se distorceram até formarem um amplo sentimento de antagonismo ao sistema vigente na Grã-Bretanha. O vitimismo é usado como um meio para criar um senso de cerco, levando a formações identitárias altamente excludentes. Pode se dizer que o surgimento da política de identidades e de tendências políticas reacionárias ou ideológicas religiosas pela Europa é inspirado por este medo de perder a identidade, e o senso de pertencimento, por conta da globalização.

Comumente é o caso que os que são mais apaixonadamente contra o status quo são os mais ativos no proselitismo, e assim se sucedeu que são os extremos políticos — a Extrema Direita, os Anarquistas e os Islamistas — que exploraram da melhor forma esta habilidade de construir identidades transnacionais excludentes. Aqui, pode se dizer que a globalização ‘aguçou as diferenças e aumentou os confrontos culturais'[2] na Europa ao invés de criar melting pots multiculturais integrados.

Relatividade Cultural
Em resposta à tensão criada pelo surgimento de tendências políticas reacionárias, a sociedade liberal tem se inclinado compreensivelmente a reduzir o risco de conflito. Palavras, imagens e ações que poderiam ser julgadas ofensivas por certas seções de uma comunidade, especialmente uma comunidade religiosa, são subsequentemente evitadas por nós como sinal de compreensão, preocupados que tais ações podem criar reações indesejadas. Em essência, tabus insalubres que idealmente precisam ser quebrados são arraigados mais ainda. Em alguns casos estes tabus são reforçados ativa e tragicamente à guisa de defender a diversidade.

No que agora seria considerado uma medida disparatada — e felizmente ilegal –, em 1993 o Distrito Londrino de Brent propôs uma moção para legalizar a Mutilação Genital Feminina (MGF). A moção pediu que a MGF fosse classificada como um “direito especificamente para famílias africanas que querem manter sua tradição enquanto vivem neste país”. Ann John, uma conselheira local de Brent na época, se opôs bem-sucedidamente a esta moção e pôs na mesa a sua própria emenda na qual chamou a MGF de “barbárica” e disse que era “uma tradição cultural nem um pouco mais válida do que o canibalismo”. Mas isto foi nos anos 1990, a década de insana getoização monocultural patrocinada pelo estado, infelizmente nomeada de multiculturalismo. Por conseguinte, por sua heresia Ann sofreu uma tirada de abusos e ameaças. Ela foi chamada de “missionária colonialista” que “pensa que sabe o que é melhor para os africanos” e até ameaçada com mutilação ela própria. Tivemos que esperar até 2014 ara o Concílio de Brent finalmente ensinar prevenção à MGF em todas as suas escolas. Ainda assim, de acordo com as estatísticas citadas pelo Department for International Development [Departamento para o Desenvolvimento Internacional] (DfID) do governo, mais de 20.000 meninas abaixo dos 15 anos de idade ainda estão em risco de sofrer MGF no Reino Unido todo ano.[3]

Enquanto escrevo, a Grã-Bretanha ainda está para testemunhar uma única sentença bem sucedida por esta repreensível prática. Ann John tem uma explicação para isso. Entrevistada em 2014, ela “crê que o seu tratamento fez com que outras pessoas temessem falar abertamente contra a MGF por anos por medo de serem chamadas de racistas”.[4]

Como com a homofobia, a guerra cultural contra a MGF está vagarosamente sendo vencida na Grã-Bretanha. Mas o fato de que muitos ainda se sentem incapazes de fazer juízos negativos acerca de outras práticas encontradas em culturas alternativas, ou em nossa própria, é profundamente problemático. Nós liberais seremos julgados com razão com base na extensão da nossa preocupação com os mais fracos entre nós. Na Grã-Bretanha de hoje, presume-se que os mais fracos entre nós são as comunidades minoritárias. De fato, os mais fracos são aquelas minorias-dentro-das-minorias para as quais o direito legal de se libertarem das restrições das suas comunidades equivale a nada diante da imposição da vergonha cultural e religiosa. Os mais vulneráveis incluiriam seitas religiosas dissidentes, feministas, LGBT e apóstatas, dos quais todos devem ter questionamentos sobre o dogma prevalecente dentro da sua identidade de grupo. O liberalismo nesta instância tem a obrigação de apoiar sem hesitar o indivíduo dissidente em detrimento ao grupo, o herege em detrimento ao ortodoxo, a inovação em detrimento à estagnação e a livre expressão em detrimento à ofensa. Ou, como Jonh Maynard Keynes diria, “parecer não-ortodoxo, problemático, perigoso, desobediente àqueles que nos geraram”.[5]

Antes, o que é frequentemente o caso é que o pensamento neo-orientalista prevalecente ou permaneceria em silêncio, ou criticaria os que buscam desafiar o dogma, por ‘causarem ofensa’. Um pressuposto é feito aqui acerca do que é ‘autenticidade’ numa dada cultura. Ações e conselhos subsequentes, políticos ou não, são dados condescendentemente com base neste pressuposto.

O viés de confirmação leva a buscar reafirmação para este pressuposto dos próprios ‘líderes comunitários’ que mais têm a ganhar afirmando-o. Poucos param para perguntar-se por que é presumido que os três milhões de muçulmanos nas Grã-Bretanha, cuja vasta maioria não é religiosa, desejariam se comunicar com o público através de figuras conservadoras como Citizen Khan.[6][7]
Esta presunção não só é preguiçosa, como sugere que cada cultura é efetivamente um grupo estratégico homogêneo, cujos membros pensam da mesma forma e se ofenderiam igualmente pela mesma coisa, dos quais nenhum pode falar como um indivíduo, mas sim como selvagens nativos que precisam de ‘caciques’ para falar em nome da coletividade. Se buscar unidade na política é fascismo, então buscar unidade na religião é teocracia. O liberalismo preza diversidade interna em ambas.

Quando tal relatividade cultural se torna a norma, mais elementos progressistas e liberais dentro das comunidades religiosas ou grupos culturais minoritários são traídos, só daí para serem sitiados por todos os lados. Por esta busca reducionista pela ‘autenticidade’ cultural, qualquer coisa julgada ocidental é excluída incrementalmente pelos nossos neo-orientalistas como inautêntico, até que apenas as vozes mais conservadoras, dogmáticas e regressistas permanecem — que são, ironicamente, inteiramente um produto da modernidade em si mesmas.

Lamentavelmente, esta busca pela autenticidade é uma batalha que apenas os fundamentalistas e fascistas podem vencer. Bitolagem não é meramente generalizar uma cultura, religião ou raça para odiar. Os que generalizam uma cultura, religião, ou raça a fim de demonstrar um amor paternalista, mais adequado a um bicho de estimação, devem também ser considerados bitolados. E apenas as vozes mais regressistas têm a ganhar exagerando a sua cultura, religião ou raça, seja em desafio ou conformidade aos bitolados. O liberalismo deve buscar o indivíduo, não o estereótipo. Pois tais abordagens reducionistas nada são além de complexo de superioridade obsoleto que devia ter morrido junto com o Império.[8] Pois julgar os ‘pobres nativos’ como primitivos demais para captar o liberalismo, e por conseguinte lhes aplicar e julgá-los por um padrão inferior, é uma pobreza de expectativas.

Consideremos o exemplo da Law Society of England and Wales. No início de 2014, a Law Society, uma instituição necessariamente laica, publicou uma nota de prática aconselhando procuradores acerca de como elaborar testamentos de acordo com a “Lei Sharia“; exceto que não há uma única versão da Sharia e, em árabe, Sharia é um substantivo, não um adjetivo para descrever o substantivo “lei”. Estes parâmetros incluíam afirmações de que a “Lei Sharia” aprova a deserdação dos apóstatas e das crianças adotadas, e discrimina contra as mulheres. É verdade que o Direito Comum Inglês permite que a herança seja decidida de qualquer maneira que agrade ao testante. A preocupação aqui, no entanto, é sobre por que a Law Society tem o direito não só de intervir num debate intrarreligioso acerca da natureza da aplicabilidade do Islã hoje, mas que ao fazê-lo ela selecionou a forma mais regressista de medievalismo e a promoveu como o Islã “autêntico”,[9] assim traindo, e isolando mais ainda, os muçulmanos liberais reformistas desde o princípio.[10]
A publicação das caricaturas do jornal dinamarquês Jyllands-Posten é um caso a se considerar. Foi apenas quando a imprensa começou a se aproximar de certos ‘líderes comunitários’ que uma reposta raivosa tornou-se aparente, especialmente dado que apenas imames religiosos foram aproximados.[11]

Similarmente, recentemente retuitei um inócuo desenho, não feito por mim, de uma imagem chamada ‘Mo’ dizendo “Oi” a uma imagem chamada ‘Jesus’. A imagem chamada ‘Jesus’ dizia em resposta “Como vai?”. Fiz isso porque, como muçulmano, senti que era necessário passar a ideia de que não estava ofendido por uma caricatura benigna à luz da retratação da mídia de todos os muçulmanos como super-sensíveis. Fiz isso após ter participado de um debate televisivo sobre o assunto. Ironicamente, e enquanto veementemente discordava quanto ao véu, minha intervenção veio no contexto de tentar defender os direitos de uma muçulmana usuária do véu à qual haviam acabado de dizer que o véu dela ‘ofende’ as pessoas. Após afirmar o seu próprio direito de vestir o que quiser, esta senhorita respondeu a um homem ao lado dela que ele, no entanto, não podia vestir a sua camisa com o desenho descrito acima rotulado ‘Mo’, pois ele a ofende. Minha resposta foi que as pessoas estão livres para se sentirem ofendidas com a maneira como me visto, mas não estão livres para insistirem que me vista de uma maneira que não as ofenda. Este princípio se aplica a todos, de maneira justa. Então retuitei que não estava ofendido pelo desenho rotulado ‘Mo’. A blasfêmia está nos olhos de quem vê. Por conseguinte, fui inundado com uma torrente de abusos e ameaças violentas por alguns muçulmanos sonoros porém reacionários. Mais revelador foi o castigo vindo de muitos neo-orientalistas não-muçulmanos que me acusaram de ser insensível para com os ‘sentimentos dos muçulmanos’, como se eu próprio não fosse um desses muçulmanos com alguns ‘sentimentos’ que careciam de expressar.

E então vieram os ataques ao Charlie Hebdo em Paris.

Pegar a via fácil condenando os radicais por causarem problemas sem necessidade é arrebatadoramente tentador, e incrivelmente preguiçoso. Os liberais enxergariam por instinto as dores do parto do progresso através dessa heresia. O relativismo cultural criou uma situação absurda na qual as minorias-dentro-das-minorias não estão mais livres para progredir com os debates intraculturais. Recordo de uma vez, quando criança, que um transeunte se aproximou de um casal gay na rua e lhes disse para não se darem as mãos em público, perguntando ao casal gay “vocês estão tentando deliberadamente nos ofender”. Nada mais a declarar.

A minoria inconveniente
E assim a maior alicerce da liberdade, a liberdade de expressão, como definida pelo Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos,[12] está sendo erodido por identidades de grupo excludentes. Estes grupos lutam para competir quanto a quem está mais ofendido, e quem tem mais direitos. Agora se espera que a sociedade civil se autocensure e o termo ‘tolerância’, como explicado por Flemming Rose, “não se trata mais da habilidade de tolerar coisas de que não gostamos, mas se trata mais da habilidade de ficarmos quietos e nos refrearmos de dizer coisas que os outros podem não gostar de ouvir’.[13]

Isto me traz ao termo ‘Islamofobia’, frequentemente empregado — até contra outros muçulmanos — como um escudo contra qualquer crítica, e como uma mordaça na livre expressão. Se a heresia deve ser celebrada, segue-se que nenhuma ideia, não importa quão ‘profundamente prezada’ ela seja, deve ganhar um status especial. Pois há sempre uma crença igualmente ‘profundamente prezada’ em oposição a ela. O ódio motivado especificamente para alvejar os muçulmanos, gente como eu, deve ser condenado.

Mas confundir este ódio com a sátira, o questionamento, a pesquisa, a reforma, a contextualização ou a historização do Islã, ou de qualquer outra fé ou dogma, é tão bom quanto retornar à Inquisição de Galileu. Segue-se, portanto, que qualquer liberal preocupado naturalmente com uma sociedade justa deve primeiro defender-se abertamente contra a erosão da livre expressão, em especial quando é feita enganosamente em nome dos direitos das minorias.

Em meio a uma onda de autodúvida, leis de blasfêmia, embora formalmente abolidas no Reino Unido, estão efetivamente sendo reavivadas por um clima cultural que se supõe ser liberal porém sustenta o iliberalismo. Em última instância, restrições sobre a liberdade de expressão realizam apenas uma coisa — a dominação dos ideias regressistas. Os reacionários são os primeiros a se ofender, e os primeiros a exigir ação punitiva contra os que eles julgam ofensivos. Desta maneira, empoderamos ativamente dogmas iliberais em nome da diversidade, enquanto abandonamos os ativistas vulneráveis dentro das minorias em nome do ‘respeito pela diferença’.

A reticência neo-orientalistas é em parte movida por uma preocupação genuína com uma reação racista contra as comunidades minoritárias por fanáticos da direita. A Grã-Bretanha se tornou um lugar onde racistas brancos e fundamentalistas cristãos se aliam à Direita em questões domésticas, enquanto o islamistas e fundamentalistas muçulmanos se aliam à esquerda em questões de política externa. Os dois grupos são capazes de se apropriar da retórica política de cada ala política para alimentar a sua narrativa de vitimismo. Os dois são capazes de intimidar o ‘outro’. Embora este medo do racismo seja genuíno — eu pessoalmente tive que suportar ser violentamente alvejado por racistas por um longo período –, ignorar o extremismo islamista em nome do respeito pela diferença somente dará mais poder ao racismo alimentando a narrativa de vitimismo da Extrema Direita. Os dois extremos estão em perfeita simbiose, alimentando-se um do outro para justificar as suas queixas respectivas. Mas a diferença entre imparcialidade e tribalismo é a diferença entre escolher princípios e escolher lados. Apenas uma tocha liberal pode brilhar consistentemente através da névoa dos extremistas islamistas e da extrema direita e afirmar-se com qualquer nível de consistência.
George Orwell disse, “O negócio é que a relativa liberdade de que desfrutamos depende da opinião pública. A lei não é proteção nenhuma. O governos fazem leis, mas se elas são seguidas efetivadas, e maneira como a polícia se comporta, depende do temperamento geral no país. Se grandes números de pessoas estão interessados na liberdade de expressão, haverá liberdade de expressão, ainda que a lei a proíba; se a opinião pública é preguiçosa, minorias inconvenientes serão perseguidas, ainda que leis existam para protegê-las (…)”. À admirável preocupação de Orwell pelas minorias inconvenientes, adicionaria apenas uma ideia: o custo de trair o direito à heresia das pessoas é que as inconvenientes minorias-dentro-das-minorias são, de fato, os primeiros a serem perseguidos.

Notas:

9. Veja the Law Society, Sharia succession rules, 13th March 2014 e uma resposta da Lawyers Secular Society (LSS) ‘The Law Society should stay out of the theology business’
10. Apenas após uma louvável campanha, de ninguém menos que a Lawyer’s Secular Society e a One Law for All, entre outra, que a Law Society finalmente – e silenciosamente – derrubou esta nota de prática.
11. Veja Enemies of free speech de Kenan Malik, Index on Censorship, Vol. 41, No. 1, 2012.
12. O Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos declara que ‘Todos têm o direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de ter opiniões sem interferência e de buscar, receber e comunicar informação e ideias através de quaisquer meios e independentemente de fronteiras’.
13. Flemming Rose, editor cultural do jornal dinamarquês JyllandsPosten, no ensaio de Kenan Malik Enemies of free speech, Index on Censorship, Vol. 41, No. 1, 2012.

Link para o original.

Maajid Nawaz é um ativista, autor, colunista e político britânico. Foi candidato ao parlamento britânico pelos Liberais Democratas. É autor da sua autobiografia Radical, onde revela sua jornada de saída do extremismo islamista. É também cofundador e líder da Fundação Quiliam, um think tank contraextremista que busca desafiar as narrativas dos extremistas islamistas.

Notas:
1. David Laws e Paul Marshall (eds), ‘The Orange Book: Reclaiming Liberalism’, London, 2004
2. Erika Harris, Nationalism: Theories and Cases, Edinburgh, 2009
3. Improving the Lives of Girls and Women in the World’s Poorest Countries, DfID
4. Evening Standard, ‘Ann John: I was branded a colonialist for fighting against ‘barbaric’ FGM’, Anna Davis, 28 March 2014.
5. John Maynard Keyes, ‘Am I a Liberal?’, Liberal Summer School, August 1 1925
6. Citizen Khan, Sitcom da BBC One, escrito e interpretado por Adil Ray
7. Veja Amartya Sen: ‘Identity and Violence’ Allen Lane, London 2006
8. Para uma leitura mais aprofundada veja Edward W. Said, ‘Orientalism’, 1978

Autor: Maajid Nawaz

FONTE:

http://www.bulevoador.com.br/2015/11/sobre-a-blasfemia-parte-1/

http://www.bulevoador.com.br/2015/11/sobre-a-blasfemia-parte-2/

Publicado por: Conselheiro Fnord | 06/11/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: Crianças sem religião são mais altruístas

Batismo nos primeiros meses de vida, igreja aos domingos e uma crença: passar ensinamentos religiosos aos filhos desde cedo vai transformá-los em pessoas melhores. Mas não funciona bem assim. Um estudo americano mostra que pais sem religiões definidas criam filhos menos egoístas.

Jean Decety, neurocientista da Universidade de Chicago, e sua equipem distribuíram 30 adesivos a mais de mil crianças, de 5 a 12 anos, de seis países diferentes (Estados Unidos, Canadá, China, Jordânia, Turquia e África do Sul). Elas foram orientadas a distribuir quantas figurinhas quisessem a outras crianças da mesma escola ou do mesmo grupo étnico.

Os filhos de pais sem religião definida foram os mais generosos: compartilharam mais adesivos do que as crianças católicas ou muçulmanas. E descobriram ainda que quanto mais velhas, mais egoístas as pessoas ficam.

Os pesquisadores, então, entrevistaram os pais dessas crianças. Queriam ver quanto acreditavam que seus filhos colocavam em prática os princípios morais ensinados. Os religiosos tendiam a apostar mais na generosidade dos pequenos do que os outros – enquanto os testes haviam mostrado justamente o contrário.

Uma das explicações, segundo a pesquisa, é a “licença moral”. Por acreditarem que já fazem coisas boas, do tipo rezar toda noite, as pessoas se permitem cometer alguns “erros”, como ser um pouco egoísta. “É um padrão inconsciente. Eles não percebem que aquilo não é compatível com os ensinamentos da igreja”, explica Decety.

O que vale mesmo é como você usa o que aprendeu – e não quantos livros sobre espiritualidade devorou ou a quantas missas foi no último mês.

Créditos da foto: flickr.com/ibsmart/

Leia também:
Religião faz o cérebro encolher
Pessoas sem religião são mais inteligentes
Pessoas religiosas não são mais boazinhas do que as outras

Fonte: http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/criancas-sem-religiao-sao-mais-altruistas/

Publicado por: Conselheiro Fnord | 28/10/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: Jesus: 10 ideias incomuns sobre ele

Algumas pessoas têm argumentado sobre a natureza de Jesus Cristo há quase dois milênios. E, como você já deve ter percebido, esta discussão gera muitos pontos de vista e muitas, mas muitas mesmo, polêmicas.

Quem foi Jesus Cristo?

Alguns acreditam que Ele era plenamente humano, outros acham que ele era uma entidade totalmente divina. Em tempos antigos, as pessoas o criticavam e achavam que Jesus era um completo charlatão.

Em nosso mundo mais moderno, alguns questionam se ele sequer existia.

Mas esses argumentos são amplamente conhecidos.

Aqui estão 10 ideias verdadeiramente incomuns sobre Jesus que desafiam nossas crenças – até as mais aceitas.

10. Jesus era um monge budista

Alguns budistas sublinham as semelhanças marcantes entre o cristianismo primitivo e o budismo como prova de que Jesus foi exposto aos ensinamentos do Buda e foi, talvez, até mesmo um monge. Naquela época, o budismo tinha mais de 500 anos de idade.

Os missionários estavam presentes em Alexandria, então a fé pode ter sido conhecido na Judéia, que era um centro de comércio importante. De acordo com o historiador americano Will Durant, o imperador indiano Ashoka tinha missionários budistas em todas as partes da Índia e Ceilão, e até mesmo naa Síria, Egito e Grécia, onde, talvez, eles tenham ajudado a preparar a ética de Cristo.

Algumas seitas judaicas ascéticas, particularmente os essênios, podem ter sido influenciados por estes “professores” do budismo.

“A vida desconhecida de Jesus Cristo”, escrito por Nicolas Notovitch, afirma que Jesus passou um tempo na Índia entre as idades de 14 e 29 anos, um período em que não existe relato bíblico de suas ações ou paradeiro.

Ao visitar um monastério em Ladakh, no sudeste asiático, em 1888, Notovitch alegou ter encontrados textos que se referem a Jesus como “Issa”. De acordo com esses escritos, Jesus viajou por toda a Índia pregando, aceitando o Shudras e outros intocáveis, e inclusive se envolveu em brigas com Brahmans.

Claro que, imediatamente depois de serem expostas ao mundo, as afirmações de Notovitch geraram um monte de controvérsias. Então, investigações mais profundas logo revelaram que a maior parte da história tinha sido inventada mesmo.
Em uma entrevista dada na época, o Chefe Lama disse que não havia visitantes estrangeiros que vieram para o mosteiro e ele não tinha ideia do que “Issa” era.

Qual é a verdade então?

No entanto, muitas pessoas ainda estavam convencidas de que muitas semelhanças existiam entre os ensinamentos de Jesus Cristo e Buda para que fosse mera coincidência, incluindo detalhes de sua infância, os ministérios, as doutrinas, a resistência da tentação demoníaca e perseguição por ordens religiosas de elite.

Jesus disse: “Faça aos outros o que gostaria que fizessem a você”, enquanto Buda disse: “Considere o outro como a si mesmo”. Coincidência?

Não sabemos dizer. Em uma multidão enfurecida e pessoas que queriam apedrejar uma adúltera, Jesus advertiu: “Aquele que dentre vós está sem pecado, seja o primeiro a lançar-lhe uma pedra”. Da mesma forma, Buda disse na mesma situação: “Não olhe para as faltas dos outros ou o que outros têm feito ou não; observe o que você tem feito ou não”. Parece que Jesus era melhor em fazer frases, mas os paralelos entre ele e Buda são bastante estranhos. No mínimo, curiosos.

9. Jesus era filho de um arquiteto ou pedreiro

Jesus é geralmente conhecido como o filho adotivo do carpinteiro José, mas o livro do Dr. Adam Bradford afirma o contrário.

Bradford alega que o filho de um carpinteiro pobre, de classe baixa, não poderia ter alcançado a posição que Jesus alcançou na sociedade judaica na época. Por isso, é mais provável que Ele fosse o filho de um respeitado, arquiteto de classe média.

Na visão de Bradford, o equívoco vem de uma tradução errada da palavra grega “tekton”, que foi utilizado para descrever a profissão de Joseph. De acordo com Bradford, tekton significa “arquiteto” ou “mestre de obras”.

Na Bíblia, Jesus também é descrito com a palavra tekton. Como um arquiteto, Jesus teria o status social para difundir seus pontos de vista, bem como o acesso a autoridades rabínicas durante a construção de um gigantesco templo judeu em Jerusalém.

Pregar no Templo e afugentar cambistas teria causado problemas para a classe baixa judia, mas Jesus tinha status social. Em toda a Bíblia, Ele é referido como “Rabino” e “doutor da Lei,” altas posições na sociedade judaica na época.

Em 22 a.C, o rei Herodes encomendou a construção de um grande templo, recrutando 10.000 artesãos qualificados para auxiliar 1000 sacerdotes e ensinar-lhes as artes dos artesãos. Bradford acredita que Joseph era um desses artesãos, que inventaram todo o conceito ao redor do menino Jesus, juntamente com os principais festivais.

Como um protegido, Jesus foi acolhido por sacerdotes que Seu pai tinha instruído e se tornou um rabino de alto escalão até que foi acusado de blasfêmia.

E a história de ser um pedreiro?

É o ponto de vista do estudioso Kwon Sung-dal.

Ele acredita que Jesus tornou-se um pedreiro em vez de um carpinteiro porque Israel tinha pouca madeira e a cidade natal de Jesus foi cercada por pedras.

Kwon foi provavelmente influenciado pelo trabalho de Professor James Tabor, que mais uma vez culpa a discrepância na palavra grega tekton, que também pode ser interpretado como “pedreiro”.

8. Alguns acham que Jesus pode ter sido um mágico (e isso não é uma piada)

O filósofo grego do século II, Celso, era um adversário no início do cristianismo.

Ele não só negou os milagres de Jesus, como também afirmou que Jesus era apenas um mágico inteligente que tinha aprendido feitiçaria no Egito.

De acordo com Celsus, os seguidores de Jesus eram apenas crédulos, tolos de classe baixa, enganados pelos truques de um charlatão que tinha más intenções.

Impossível?

Celso também alegou que a história da ressurreição era um mito, porque ele não conseguia conciliar com a noção platônica das naturezas com o corpo e separado da alma.

Em 1978, Morton Smith escreveu “Jesus, o mágico: charlatão ou Filho de Deus”, em que analisou aqueles que, como Celso, acreditavam que Jesus não era o Filho de Deus, mas apenas um vigarista talentoso.

Muitos de seus argumentos eram focados na falha ocasional de milagres, na suposta possessão demoníaca, e a ignobilidade de sua captura e execução.

Um verso revelador para este contexto é Mateus 13:58: “Ele não podia fazer muitos milagres lá por causa de sua incredulidade”, o que soa como uma tentativa de controle de danos, não?

Smith também investiga como muitos dos milagres atribuídos a Jesus, como a cura e exorcismo, foram semelhantes para os tipos de coisas feitas por um antigo xamã palestino que poderiam se comunicar com os espíritos do além.
Nas ruínas do antigo grande porto de Alexandria, em 2008, uma equipe de cientistas liderada pelo renomado arqueólogo marinho francês Franck Goddio encontrou uma bacia com uma inscrição que alega ser a primeira referência histórica para Jesus Cristo.

Datando de entre o século II a.C. e o início do século I d.C, a bacia está inscrito com as palavras que significando tanto “por Cristo o mágico” quanto “o mágico por Cristo”. Vai saber…

7. Jesus poderia ser a reencarnação de Krishna

Jesus Krishna?

Os hindus acreditam que o Senhor Krishna foi o oitavo avatar do deus Vishnu, nascido em algum lugar entre 900 a.C e 1200 a.C. Ensinamentos religiosos de Krishna foram preservados e muitas pessoas veem semelhanças entre os ensinamentos e histórias de vida de Jesus e Krishna, como a concepção milagrosa, a perseguição por um tirano, milagres, ascetismo, e uma insistência de que somente através dele poderia encontrar a salvação.

Supostamente, há ainda uma tradição hindu afirmando que Krishna foi crucificado. De acordo com algumas pessoas, esta é justamente a prova de que Jesus Cristo nasceu 1.000 anos mais tarde, em uma terra distante como uma reencarnação do Senhor Krishna.

Em BG 10:20, Krishna disse: “Eu sou o começo, o meio e o fim” (sim, não foi o Raul Seixas que inventou esta frase), enquanto Apocalipse 1: 8 declara: “Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso”.

Ambos, Jesus e Krishna, disseram que suas missões foram para levar as pessoas ao reino de Deus. De acordo com Hare Krishna, o nome de Cristo, que significa “ungido “, vem do grego “Christos”, que é quase foneticamente idêntico com o sânscrito “Kristo”, que significa “todo-atrativo”.

Por isso, todos eles são simplesmente variações sobre o nome de Krishna.

O pensador Hare Krishna Srila Prabhupada disse uma vez: Se alguém ama Krishna, esse alguém deve amar o Senhor Jesus também. E vice-versa.

Então, se alguém questiona: “Por que devo amar Krishna? Eu amarei Jesus”, a pessoa não tem conhecimento. E se alguém diz: “Por que hei de amar a Jesus? Amarei Krishna”, a pessoa também sabe de nada.

O que ele quer dizer com isso?

Que se alguém entende Krishna, então vai entender Jesus. Se alguém entende Jesus, você vai entender Krishna também.

De acordo com o pesquisador Dr. Vedavyas, o nascimento de Jesus foi preditado no Bhavishya Purana, que falou de Isha putra, o filho (putra) de Deus (Isha), que nasceria de uma mulher solteira chamada Kumari. Outros, no entanto, consideram que Bhavishya Purana não é confiável e as profecias supostamente teriam sido grosseiramente inseridas em textos hindus por missionários cristãos do século 18. Impossível? Creio que nada nesta história toda o seja.

6. Jesus Caesar?

Francesco-Carotta argumentou que a história tradicional de Jesus Cristo é realmente toda errada e fruto da má interpretação da vida de Júlio César. E que o cristianismo primitivo foi realmente derivado do culto a Julius de Roma.

Estamos todos familiarizados com Júlio César como um general e político. Mas ele também era conhecido por sua clemência e misericórdia, pela qual ele morreu. Mesmo a coroa que ele usava se assemelhava a coroa de pontos.

Carotta também relata a uma série de semelhanças entre suas vidas, bem como coincidências-linguísticas, tais como César em Gália e Jesus na Galiléia,

César foi esfaqueado por Cassius (Longinus), Jesus foi esfaqueado por Longinus.

Carotta também traça paralelos entre as pessoas na vida de César e Jesus e sugere que elas eram, na verdade, a mesma coisa: Pompeu/João Batista como padrinho político, Brutus/Judas como o traidor, Cleópatra/Maria Madalena como “amiga colorida”, e assim por diante.

Carotta afirma que algumas das frases mais famosas de César foram copiadas para uso nos Evangelhos, mas tiveram suas traduções distorcidas.

Não seria a primeira vez, não é mesmo?

Veni vidi vici (“Vim, vi e venci”) tornou-se o Evangelho para “Eu vim, eu lavei e eu vi” sobre a cura do cego devido a um erro de tradução do grego (“Eu lavei”) em vez de enikisa (“Eu ganhei”).

Da mesma forma, as vitórias militares de César são mal interpretadas e retratadas como verdadeiros milagres de Jesus.

De acordo com esta interpretação, os Evangelhos são supostamente pouco mais do que propaganda pós-guerra projetada para acalmar a população, um verniz judaico sobre uma mescla de ideias pagãs e filosofia estoica com a vida de Jesus em uma releitura alegórico da campanha de Titus Flavius para esmagar a rebelião judaica.

5. Jesus também pode ter sido o Arcanjo Miguel

De acordo com as Testemunhas de Jeová, Jesus nunca afirmou ser Deus. Mesmo. Em vez disso, ele é o Arcanjo Miguel. O Livro de Judas refere-se a Miguel como “arcanjo”, que significa “anjo principal”.
Enquanto isso, Tessalonicenses 4:16 diz: “O Senhor mesmo descerá do céu com uma chamada dominante, com voz de arcanjo”.

Em Apocalipse, há referências a tanto a Miguel quanto a Jesus como anjos guerreiros. As Testemunhas de Jeová acreditam que é improvável que dois exércitos de anjos tivessem inteção para a guerra sob diferentes comandantes, então Jesus e Miguel devem ser um só e os cristãos também.

Alguns discordam, apontando para Hebreus 1: 5-13, que diz que Jesus é superior e é o único filho unigênito que vai sentar-se à destra de Deus. Além disso, também tem Hebreus 2, que diz que “o Senhor te repreenda”.

4. Jesus era um comunista

O líder comunista americano Eugene Debs não viu nenhuma contradição entre seu respeito por Jesus Cristo e seus ideias políticos radicais. Na verdade, ele viu os dois como profundamente interligados, embora ele não acreditasse na divindade de Jesus.

Como é que é?

Em vez disso, Debs entendia Jesus como um mártir revolucionário na luta contra os ricos – a elite exploradora. Sua mensagem abalou o Império Romano até a classe dominante perceber que a luta contra o cristianismo não estava funcionando e que seria melhor subverter a mensagem em um mito que pudesse ser usado para oprimir as pessoas. Parece algo possível, não?

Debs descrevia Jesus como: o Cristo martirizado da classe trabalhadora, que inspirou o evangelho das massas oprimidas, o líder supremo do mundo revolucionário, cujo amor pelos pobres e os filhos dos pobres consagrara sua vida.

Muitos acreditam que a igreja cristã primitiva praticava uma forma de comunismo ou socialismo, fazendo referência a Atos 2: 44-45: “E todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum, e vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo a necessidade de cada um”.

Alguns afirmam que a situação descrita em Atos era apenas temporária em face da perseguição e representou uma situação de caridade em vez de comunismo.

Outros afirmam que o chamado de Jesus para as pessoas desistirem de sua riqueza era apenas uma escolha moral, não uma condenação da propriedade privada. Com este pensamento, Debs também se aproxima de americanos que tinham um ponto de vista parecido.

Outros teólogos, contudo, têm uma visão diferente.

Jose Porfirio Miranda, que desenhou muitos paralelos entre a Bíblia cristã e as obras de Karl Marx, viu a recusa do marxismo como reconhecimento de Deus como um defeito.

Ele escreveu que a noção de comunismo está no Novo Testamento tão bem colocada que, nos vinte séculos desde que foi escrito, ninguém teve uma melhor definição do comunismo do que Lucas em Atos 2: 44- 45 e 4: 32-35.

Na verdade, a definição que Marx emprestou de Louis Blanc, “De cada um segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades”, é inspirada, se não diretamente copiada, da formulação de Lucas dezoito séculos antes.

Não há demonstração mais clara da lavagem cerebral do que o estabelecimento do cristianismo como algo anticomunista.

3. Jesus e Zeus são o mesmo

A letra “j” tem apenas alguns séculos de idade. Ela foi distinguida da letra “i” só depois de 1600. O original da Bíblia se refere a Jesus como “Iesus”. Segundo alguns cristãos não-tradicionais, este é um problema sério.

Eles afirmam que o nome original de Messias foi “Yeshua”, que tornou-se o nome judeu “Yesua” como parte da tradição judaica de esconder o verdadeiro nome de Deus.

“Yesua” foi traduzido para o grego como “Iesous” – que é, segundo alguns, literalmente, a tradução grega do “Salve, Zeus”. Tem-se afirmado que os gregos adicionaram as terminações “sus”, “SEUS” e “sous” para nomes e lugares, a fim de honrar o deus supremo Zeus.

Jesus recebeu esse nome para remover as suas raízes judaicas e torná-lo mais palatável para os gregos que estavam acostumados a adorar deuses pagãos.

É fundamental voltar ao nome original de Jesus, dizem eles, citando a sua versão dos Atos 4: 10,12: “seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Yeshua Hamashia de Nazaré , a quem vós crucificastes e a quem YAH ressuscitou dentre os mortos.(…) E em nenhum outro há salvação, porque também não há qualquer outro nome debaixo do céu, dado entre os homens, em que devamos ser salvos”.

Críticos apontam para uma mutação etimológica óbvia acontecendo aqui, que fez “Yah”ser estabelecido como nome de “Yeshua”, uma versão abreviada do nome “Yehoshua”, que significava “Deus salva”. De fato, o equivalente em Inglês de “Yehoshua” é “Josué”. Além disso, o nome grego Zeus ea pronunciado como algo mais próximo de “Zevs.”

2. Jesus em: um profeta Islâmico

Na tradição islâmica, Jesus Cristo nasceu de uma virgem através da intervenção de Deus, mas ele era apenas um profeta e mensageiro como Adão e Moisés – que vieram antes dele.

Quando criança, ele falou com sua mãe, Maryam, em árabe. E disse: “Certamente! Eu sou um servo de Deus, Ele me deu a Escritura e me fez um profeta!”.

Os muçulmanos acreditam que Jesus realizou milagres, mas eles não acreditam que ele era o Filho de Deus. No entanto, eles acreditam que ele não era nada mais do que humano.

Para eles, Deus revelou a Jesus um livro chamado Injeel, que continha a sabedoria divina, alguns dos quais ainda estão no Novo Testamento. No entanto, os muçulmanos rejeitam a Bíblia porque eles acreditam que as palavras do Injeel passou por alterações, adições e omissões que mudaram os significados da mensagem inicial.

Os muçulmanos originalmente também não acreditam que Jesus morreu na cruz ou foi morto por mortais. Eles citam o Alcorão (Sura 4: 157-158) em uma passagem que diz “Nós matamos Jesus Cristo, o filho de Maria, o Apóstolo de Alá”, – mas eles não o mataram, nem o crucificaram. Alguns acreditam que o homem na cruz era na verdade um impostor voluntário que foi planejado para se assemelhar a Jesus por Deus, enquanto outros acreditam que ele não chegou a morrer na cruz, mas sim simplesmente desmaiou.

1. Jesus seria um alien

Existem algumas teorias de que Jesus Cristo era um híbrido alienígena ou extraterrestre. Um exemplo é uma linha de pensamento que associa Jesus com o Annunaki, os deuses e divindades da mitologia Sumero-babilônica. De acordo com esta teoria, Nibiru passa pela Terra a cada poucos milhares de anos, e Annunaki pair sobre nós, interferindo no progresso da humanidade durante esse tempo.

Supostamente, Nibiru foi a estrela de Belém, e Jesus nasceu da união de uma mulher humana com um Annunaki identificado com o anjo Gabriel em interpretações posteriores.

Como um semideus, Jesus sobreviveu a sua execução, foi apanhado por uma nave espacial, e provavelmente está vivo hoje.

Outra interpretação vem do pastor presbiteriano Barry Downing, que escreveu a “Bíblia e Discos Voadores” em 1968. Downing afirmavam que três homens sábios, provavelmente, seguiram um OVNI até Belém, e um OVNI semelhante poderia ter tomado Jesus Cristo na Ascensão. No início de 2005, a BBC organizou um debate aparentemente sério em torno desta questão para saber se os líderes religiosos da história, como Jesus Cristo e o Buda, eram realmente alienígenas disfarçados.
Mark Bennett, o chefe da Sociedade Esotérica, disse nesta ocasião que eles acreditam que os vários líderes religiosos da história têm uma origem interplanetária, sim.

Ele defendeu a crença de que Jesus e Buda vieram de Vênus, que Sri Krishna veio de Saturno, que São Pedro veio de Marte, e assim por diante. Ele tinha as origens planetárias na ponta da língua!

Depois que os palestrantes cristãos tradicionais zombaram de suas crenças, alguém acabou perguntando: “Onde está a prova para tudo isso?”. E, de repente, o público parou de rir de Bennett e começou a apoiá-lo.

Bennett respondeu dizendo que faz muito mais sentido dizer que Jesus era um ser interplanetário que veio à Terra para ajudar a humanidade, além de defender que Deus criou um único filho, que também foi ele próprio em um ponto aleatório na história, que chegou a vir à Terra e perdoar as pessoas de seus pecados por algum motivo que nós não sabemos realmente qual é.

E se…

Todas estas questões me fazem pensar que falta faz uma internet. Será que daqui há alguns milênios as pessoas terão tantas dúvidas assim sobre a história passada – que nem é tão antiga assim? Ou elas simplesmente vão poder responder suas dúvidas com uma simples busca no Google?

P.S: Se você aí do futuro chegou a este texto, tenha em mente que todos estes pontos de vista estão embasados em uma literatura que foi despedaçada ao longo do tempo, e por isso deu margem a uma série de interpretações. Valorize seu tempo, tenho certeza de que esta é uma excelente época para se estar vivo. E, acima de tudo, valorize o conhecimento. Espero que nos seus dias as histórias estejam mais bem contadas. E precisas. [listverse]

FONTE: http://hypescience.com/jesus-10-ideias-incomuns/

Publicado por: Conselheiro Fnord | 14/10/2015

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