Publicado por: Conselheiro Fnord | 09/03/2016

MUNDO DISCORDIANISTA: Os 12 apóstolos realmente existiram?


Na Bíblia, Jesus Cristo nomeou 12 apóstolos para espalhar seu evangelho. A igreja cristã primitiva deve a sua rápida ascensão ao zelo missionário destes escolhidos. No entanto, para a maioria deles, há poucas evidências de sua existência fora do Novo Testamento.

No livro “Apostle: Travels Among the Tombs of the Twelve” (“Apóstolo: viagens pelas tumbas dos doze”, em tradução livre), o autor Tom Bissell tenta descobrir se os Doze Apóstolos eram figuras históricas reais ou meramente personagens de uma história de ficção. Ele andou por mais de 800 quilômetros ao longo do Caminho de Santiago, no norte da Espanha, visitou o local onde Judas Iscariotes supostamente se enforcou e procurou em vão por um mosteiro misterioso no Quirguistão, onde os ossos do apóstolo Mateus supostamente foram enterrados. Foi uma viagem cheia de falsos começos, becos sem saída e enigmas não resolvidos que o deixaram tão perplexo quanto quando começou.

Em entrevista ao site da National Geographic, Bissell diz que não há evidência histórica da existência da maioria dos apóstolos. “Alguns dos nomes registrados no Novo Testamento são, provavelmente, de pessoas reais. Havia provavelmente um Pedro e um João, definitivamente um Tiago (o irmão de Jesus) e, provavelmente, um Tomás. Além disso, não há nada de histórico que verifique a existência deles além dos próprios evangelhos. Então, eu acho que eles são uma mistura de fato e ficção”, decreta.

Ele cita um dos grandes mistérios da história cristã primitiva: sabemos uma quantidade razoável de informações sobre Paulo e sabemos que Tiago, irmão de Jesus, era uma pessoa real. No entanto, nenhum deles é um membro dos Doze. “Então você tem essas doze pessoas que foram os primeiros seguidores de Jesus, mas não há nada sobre eles em qualquer fonte secular, exceto as cartas de Paulo, que mencionam Pedro e João”.

Onde Judas perdeu as botas?

Bissell iniciou sua busca em Jerusalém, no lugar onde acredita-se ser o descanso final de Judas Iscariotes. Para ele, a pergunta se Judas foi um personagem histórico real é “espinhosa”. “Segundo a tradição, embora as Escrituras não sejam claras sobre isso, Judas enforcou-se em um lugar chamado Hakeldama, no vale Hinom, que é um vale rochoso, desértico, na parte sul de Jerusalém. Quando você vai lá, realmente se sente como se fosse um lugar amaldiçoado. Esse é o poder dessas histórias. Você sente os séculos de ódio e desgosto para esta pessoa que traiu Jesus”, diz.

“Quanto a saber se Judas era real, eu acho que é provavelmente verdade que Jesus foi traído por alguém. Se o nome da pessoa era Judas é uma questão muito mais difícil. Eu suspeito que as linhas gerais da história de Judas, como os escritores dos evangelhos delinearam, é provavelmente fictícia. Em um monte de outras histórias de Jesus, os evangelistas parecem estar contando a mesma história. Mas com Judas, acho que eles tinham muito menos matéria-prima para trabalhar, então todos trataram dele à sua própria maneira. Isto sugere que ele era mais um personagem fictício do que uma pessoa real”, aponta.

A tumba de Mateus

O Quirguistão não é um lugar que a maioria de nós associa com histórias da Bíblia – ou com qualquer outra história. Mas foi lá que o autor procurou pela tumba de Mateus, um dos apóstolos. Ele explica que havia uma grande quantidade de cristãos na Ásia Central até a Idade Média. “De acordo com um mapa medieval da Espanha, as relíquias de Mateus foram enterradas em um lugar chamado ‘Mosteiro da Fraternidade Armênia’, que se acreditava ficar na margem do lago Issyk-Kul, um belo corpo de água no meio das montanhas do Quirguistão”, explica.

“Um arqueólogo russo alegou ter encontrado as relíquias em 2006, então eu saí para procurá-lo. Logo descobri que nunca tinha havido um monastério armênio lá, apenas um monastério russo do século 19. Mas foi uma das minhas viagens favoritas, porque foi muito difícil de encontrar e foi um dos lugares mais encantadores que já vi, embora minha busca para encontrar as relíquias de São Mateus tenha chegado ao fim em um anti-clímax”, lamenta.

O irmão (mais velho) de Jesus

Quanto a Tiago, irmão de Jesus, que não era um dos apóstolos, Bissell garante que há evidências de sua existência. Mais do que isso: segundo o autor, as evidências mostram que ele pode ter sido a segunda pessoa mais importante do cristianismo no primeiro século depois de Jesus. Em 2002, foi encontrado um ossuário em Jerusalém que, dizem, pertence a ele.

“Sabemos que Tiago, irmão de Jesus, era uma pessoa real. Ele é mencionado por Flavius ​​Josephus, um historiador judeu do primeiro século. Algumas pessoas dizem que o ossuário é real, mas a inscrição que supostamente diz ‘Tiago, irmão de Jesus’ em aramaico, não é. Ninguém encontrou seu corpo, mas ele era claramente uma figura bem conhecida no primeiro século. O fato de que Josephus e outras pessoas consideraram a destruição de Jerusalém pelos romanos como uma vingança divina pela morte de Tiago, que foi morto por volta de 66 dC logo antes da revolta judaica contra Roma, diz tudo o que você precisa saber sobre como ele era significativo”, afirma.

A grande questão acerca de Tiago é que ele, supostamente, era mais velho do que Jesus, o que desmentiria uma das principais crenças dos cristãos. “O problema com Tiago é que ele confunde tudo que os cristãos ortodoxos aceitam sobre o nascimento virginal. Se ele fosse irmão mais velho de Jesus, isso por si só é um grande problema, porque Maria supostamente era virgem quando teve Jesus. Eu suspeito que Tiago era real e que há uma boa chance de que ele fosse o irmão mais velho de Jesus, e que ele era a figura mais importante no cristianismo do primeiro século depois de Jesus. Mas o nascimento virginal não faz exatamente sentido. As leis conhecidas do universo normalmente não param de funcionar”, contesta.

Mesmo com a falta de evidências da existência real dos apóstolos, o autor destaca a importância das histórias bíblicas para a formação do mundo ocidental. “As histórias dos Doze Apóstolos são uma grande parte de como o mundo ocidental decidiu ensinar a si mesmo sobre o que se entende por comunidade e contação de histórias e pela verdade, amizade e lealdade”, afirma.

“Percebi que ficar bravo com as pessoas religiosas por acreditar no que elas acreditam é um pouco como ficar bravo com uma tempestade por deixar as coisas molhadas. A melhor posição é tentar encontrar um lugar onde todos podemos concordar sobre a importância do significado derivado da literatura ou de obras da imaginação. Eu sei que seria um insulto a maioria dos cristãos considerar o Novo Testamento como uma obra da imaginação. Mas eu não digo isso no sentido de que é tudo falso, mas sim no sentido de tirar consolo da tentativa de outra pessoa em colocar o universo em ordem. Talvez ser apenas uma história é a melhor coisa que (o Novo Testamento) pode ser”, define. [National Geographic]

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