Publicado por: Conselheiro Fnord | 26/11/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: O buraco da agulha religioso


A religião pode ser interpretada como contos de fadas. Personagens contrastantes, rasos, maquiavélicos ou incrivelmente iluminados em sua sabedoria e humildade de espírito. Contracenando com cobras e burros falantes, anjos ameaçados de estupro, virgens que engravidam, carruagens que ascendem aos céus com fulgor, deuses disfarçados de cisnes para transar com moças virgens e amaldiçoar outras com cabeças de serpente por resistirem. Entretanto há outro ponto característico dos contos de fadas que associo à religião: Expectativas divinas para condições de humanidade.

A religião costuma exigir de seus fieis doutrinas e leis baseadas em pressupostos morais inatingíveis ao pobre cidadão comum que vai para o inferno por recolher lenha ao sábado, tomar café, passar a madrugada com pornografia e não ter pedir perdão por esses pecadinhos (HARAM!) antes de morrer. Aliás, dentro do cristianismo não existem proporções de pecado maior ou menor, não passam todos de pecado. Mentir possui o mesmo peso que matar, independente de quais sejam os motivos. Todos são condenados à boca insaciável do inferno.

Entretanto, como todo perspicaz ser vivente desta terra, o ser humano faz o que pode para encontrar “brechinhas” em suas leis para que possa exercer seus desejos, principalmente se possui um aval de status quo lhe garantindo privilégios que reles mortais não possuem. Nos casos comuns recriar gêneros musicais que possuem origem no mundanismo como “White metal, rock gospel, pagode gospel, funk gospel, forró gospel, eletrobrega gospel (?)” Já há . Esperando pornografia gospel, ácido gospel e strippers evangélicos (a).

Um caso realmente inusitado é a criação do primeiro sex shop islâmico halal em Londres e o dono do local afirma que seus líderes religiosos garantem a comercialização dentro das normas da Sharia. Será que junto ao vibrador vem um kit apedrejamento, mais uns disparadores de ácido, caso sua esposinha rebelde resista à suas investidas? Talvez uns 5 homens de brinde para o estupro coletivo? (com certeza o farão com muita verossimilhança). O vendedor garante que não há exposição de pornografia e que possui um público alvo voltado para casais que desejam incrementar sua vida sexual e prolongar o matrimônio.

Nos primeiros exemplos é engraçado ver as inúmeras tentativas destas pessoas se manterem fieis aos preceitos morais e doutrinais adaptando o que elas amam no aspecto mundano e purificando para as narinas do Senhor. Tanto no caso dos cristãos como do Sex Shop Halal não há nada intrinsecamente prejudicial, pelo contrário, é positivo que a vida sexual mesmo que a passos lentos, ainda ande. Entretanto, há espaço para compaixão: Estas pessoas realmente se obrigam a seguir regras limitando os aspectos experienciais que poderiam viver com intensidade e honestidade insistindo ao contorcionismo moral para que seus desejos sejam saciados dentro das possibilidades nos quais não há nenhuma “reprimenda” específica em seus livros sagrados. Se há milhares de anos não existia sex shop e por isso uma proibição não seria necessária, não importa. Se o livro sagrado ou a Sharia não condenam, não há porque proibir mesmo que por dedução lógica pareça incoerente com o contexto do texto completo.

Estas situações são extremamente inofensivas comparadas aos casos mais graves de “brechas” religiosas que permitem a liberdade dos mais poderosos que poucos tem acesso. Um dos mais chocantes é a milenar prática afegã chamada de Bacha Bazi no qual meninos jovens afeminados são maquiados, vestidos de mulheres, usando burca, peitos postiços para dançar entre homens ricos e mais velhos. Dançam cerca de 2 a 3 horas por 2 dólares e muitos após a farra dos “Sheikes” são abusados em hotéis ou suas casas de luxo. Os homens reconhecem apenas como um esporte. No Afeganistão, uma terra devastada pela guerra, recolher meninos novos das ruas não é uma tarefa difícil pela necessidade de comida, também pela indiferença, negação populacional e até das autoridades que isto ainda aconteça. O aspecto de brecha se encontra onde? Pelo fato que meninas dançarem dessa maneira é proibido pela lei islâmica e a Sharia, mas nada diz sobre meninos.

Há ainda algo bem controverso no mundo islâmico, um costume chamado Nikah mut‘ah que consiste em uma cerimônia de casamento privada com a intenção de duração de 2 a 3 dias. Esse costume divide sunitas e xiitas quanto a população em geral, pois alguns dizem que Maomé já havia proibido tal prática como também comer carne de jumento. A mulher deve ser casta, não pode ser virgem e após o divórcio precisa permanecer algum tempo sem ter relações sexuais. Ela não é escrava nem esposa. O que ela seria então nas grandes possibilidades de nuances numa sociedade que proíbe a prostituição e se vangloria que tal prestação de serviços não existe?

É muito recorrente o quanto religiosos e dogmáticos olham com censura para os infiéis, hereges merecedores do inferno dissimulados de crença e sinceridade, mas se banham na inveja e então fazem o possível para encontrar brechinhas em suas leis para compensar seus desejos reprimidos e obsessões proibidas. Há mais sabido ainda que quanto maior a proibição, maior a obsessão e consequentemente associação ao tema em qualquer situação cotidiana. Se o sexo é ruim, se deve persegui-lo de todas as formas, então há sexo por todos os lados, mas é ilícito e por uma “ironia” do destino que nada mais é que uma consequência lógica, só fomenta e alimenta o desejo de consumi-lo, obtê-lo e quando não se consegue, melhor impedir quem o faça.

O ocidente é sujo, que dá liberdade às mulheres e por isso decadente, entretanto não há nada tão sedutor, não é?! A hipocrisia das religiões é latente e ela se revela em cada expressão de uma liberdade no qual o afã se mascara e justíssimo entre os buracos do lençol. E todos estes esforços se originam no que nas noções idealizadas de um comportamento inatingível. Se fosse fácil, os esforços não seriam descomunais e a maior parte das pessoas conseguiria seguir tais ordens, ao invés de dissimulá-las com supostas auras de santidade.

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