Publicado por: Conselheiro Fnord | 09/11/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: Sobre a Blasfêmia…


Galileu é “veementemente suspeito por este Santo Ofício de heresia, isto é, de ter aceito e crido na doutrina (que é falsa e contrária às Sagradas e Divinas Escrituras) de que o sol é o centro do mundo, e que não move do leste ao oeste, e que é a terra que move, e não é o centro do mundo (…)”
Sentenciamento na Inquisição de Galileu,

22 Junho de 1633

Todo filósofo, profeta, cientista e grande reformador político e social do seu tempo começou como herege. Maomé blasfemou contra a ordem social politeísta de Meca; Jesus, contra o legalismo monoteísta do Templo; e Moisés, antes deles, contra os ídolos dos Filhos de Israel. O direito à heresia, à blasfêmia e a falar contra o dogma prevalecente é tão sagrado e divino quanto qualquer ato de prece. Se nossa liberdade conquistada a duras penas, nosso desejo de ser irreverentes ao antigo e de questionar o novo, pode ser reduzida a um direito básico e indispensável: deve ser o direito à livre expressão. Nossa liberdade de expressão representa nossa liberdade de pensar, nossa liberdade de criar, inovar e progredir. Você não pode matar uma ideia, mas pode com certeza matar uma pessoa por expressá-la. Pois, se liberdade significa alguma coisa em absoluto, é o direito de nos expressarmos sem sermos mortos por isso.

A importância do liberalismo internalizado na sociedade britânica contemporânea veio a representar a pedra angular do pensamento liberal democrata moderno.[1] Este artigo visa a estender essa noção argumentando que o liberalismo é uma ideia que deve ser afirmada ativa, universal e externamente, entre e através das comunidades, culturas e fronteiras. Um certo neo-orientalismo nos tomou conta sorrateiramente, em parte em reação ao militarismo fracassado dos anos neoconservadores, mas principalmente em virtude de atitudes autocríticas históricas para com o Império Britânico. Este neo-orientalismo interpreta o liberalismo como um construto ocidental mal adequado a culturas não-ocidentais. Liberais batalhadores dissidentes dentro de contextos de comunidades minoritárias descobrem que não têm inimigo maior do que estes neo-orientalistas que dão credibilidade à ideia de que eles são de algum modo uma expressão inautêntica da sua cultura ‘nativa’. Esta visão, ao adotar a relatividade moral, reduz outras culturas a clichés preguiçosos, romantizados e estatísticos. Pior ainda, acaba não só tolerando mas promovendo ativamente práticas iliberais em nome da autenticidade cultural, até onde tais práticas promovidas são de fato neofundamentalismos a-históricos inautênticos.

Há uma grande traição das minorias-dentro-das-minorias em ação. O preço desta traição na Grã-Bretanha moderna são guetos monoculturais que suprimem as oportunidades das minorias aquiescendo ao silenciamento da vozes inovadoras, em nome desta pressuposta autenticidade cultural. Somente através da reafirmação universal da livre expressão que estas vozes silentes têm qualquer chance de ser ouvidas. Liberdade de expressão não é um ideal “ocidental”, mas sim um ideal humano.

Globalização e identidade
A rápida globalização ajudou a erodir a identidade nacional. Encorajada por inovações no transporte e nas comunicações internacionais, testemunhamos, antes, um surgimento de identidades transnacionais laterais que se estendem para além das fronteiras, ao invés de para dentro delas, a fim de encontrar afinidade. Consequentemente, bolsos de paroquialismos anteriormente isolados estão se conectando, oferecendo um senso de pertencimento a causas globais além das fronteiras geográficas.
Um temor comum é que viver em sociedades multiétnicas e multirreligiosas leva à desintegração da cultura de um indivíduo. Alguns, especialmente os que vêm de comunidades minoritárias, sentem a necessidade de se protegerem contra esta ameaça agarrando-se ardentemente a, e exagerando, uma forma tacanha da sua identidade étnica ou religiosa. ‘Diferenças culturais’ são portanto enfatizadas e limitadas mais do que seriam em outra situação.

É claro que é possível fazer isso de uma maneira sadia, e muito fazem. Mas algumas inseguranças culturais modernas se distorceram até formarem um amplo sentimento de antagonismo ao sistema vigente na Grã-Bretanha. O vitimismo é usado como um meio para criar um senso de cerco, levando a formações identitárias altamente excludentes. Pode se dizer que o surgimento da política de identidades e de tendências políticas reacionárias ou ideológicas religiosas pela Europa é inspirado por este medo de perder a identidade, e o senso de pertencimento, por conta da globalização.

Comumente é o caso que os que são mais apaixonadamente contra o status quo são os mais ativos no proselitismo, e assim se sucedeu que são os extremos políticos — a Extrema Direita, os Anarquistas e os Islamistas — que exploraram da melhor forma esta habilidade de construir identidades transnacionais excludentes. Aqui, pode se dizer que a globalização ‘aguçou as diferenças e aumentou os confrontos culturais'[2] na Europa ao invés de criar melting pots multiculturais integrados.

Relatividade Cultural
Em resposta à tensão criada pelo surgimento de tendências políticas reacionárias, a sociedade liberal tem se inclinado compreensivelmente a reduzir o risco de conflito. Palavras, imagens e ações que poderiam ser julgadas ofensivas por certas seções de uma comunidade, especialmente uma comunidade religiosa, são subsequentemente evitadas por nós como sinal de compreensão, preocupados que tais ações podem criar reações indesejadas. Em essência, tabus insalubres que idealmente precisam ser quebrados são arraigados mais ainda. Em alguns casos estes tabus são reforçados ativa e tragicamente à guisa de defender a diversidade.

No que agora seria considerado uma medida disparatada — e felizmente ilegal –, em 1993 o Distrito Londrino de Brent propôs uma moção para legalizar a Mutilação Genital Feminina (MGF). A moção pediu que a MGF fosse classificada como um “direito especificamente para famílias africanas que querem manter sua tradição enquanto vivem neste país”. Ann John, uma conselheira local de Brent na época, se opôs bem-sucedidamente a esta moção e pôs na mesa a sua própria emenda na qual chamou a MGF de “barbárica” e disse que era “uma tradição cultural nem um pouco mais válida do que o canibalismo”. Mas isto foi nos anos 1990, a década de insana getoização monocultural patrocinada pelo estado, infelizmente nomeada de multiculturalismo. Por conseguinte, por sua heresia Ann sofreu uma tirada de abusos e ameaças. Ela foi chamada de “missionária colonialista” que “pensa que sabe o que é melhor para os africanos” e até ameaçada com mutilação ela própria. Tivemos que esperar até 2014 ara o Concílio de Brent finalmente ensinar prevenção à MGF em todas as suas escolas. Ainda assim, de acordo com as estatísticas citadas pelo Department for International Development [Departamento para o Desenvolvimento Internacional] (DfID) do governo, mais de 20.000 meninas abaixo dos 15 anos de idade ainda estão em risco de sofrer MGF no Reino Unido todo ano.[3]

Enquanto escrevo, a Grã-Bretanha ainda está para testemunhar uma única sentença bem sucedida por esta repreensível prática. Ann John tem uma explicação para isso. Entrevistada em 2014, ela “crê que o seu tratamento fez com que outras pessoas temessem falar abertamente contra a MGF por anos por medo de serem chamadas de racistas”.[4]

Como com a homofobia, a guerra cultural contra a MGF está vagarosamente sendo vencida na Grã-Bretanha. Mas o fato de que muitos ainda se sentem incapazes de fazer juízos negativos acerca de outras práticas encontradas em culturas alternativas, ou em nossa própria, é profundamente problemático. Nós liberais seremos julgados com razão com base na extensão da nossa preocupação com os mais fracos entre nós. Na Grã-Bretanha de hoje, presume-se que os mais fracos entre nós são as comunidades minoritárias. De fato, os mais fracos são aquelas minorias-dentro-das-minorias para as quais o direito legal de se libertarem das restrições das suas comunidades equivale a nada diante da imposição da vergonha cultural e religiosa. Os mais vulneráveis incluiriam seitas religiosas dissidentes, feministas, LGBT e apóstatas, dos quais todos devem ter questionamentos sobre o dogma prevalecente dentro da sua identidade de grupo. O liberalismo nesta instância tem a obrigação de apoiar sem hesitar o indivíduo dissidente em detrimento ao grupo, o herege em detrimento ao ortodoxo, a inovação em detrimento à estagnação e a livre expressão em detrimento à ofensa. Ou, como Jonh Maynard Keynes diria, “parecer não-ortodoxo, problemático, perigoso, desobediente àqueles que nos geraram”.[5]

Antes, o que é frequentemente o caso é que o pensamento neo-orientalista prevalecente ou permaneceria em silêncio, ou criticaria os que buscam desafiar o dogma, por ‘causarem ofensa’. Um pressuposto é feito aqui acerca do que é ‘autenticidade’ numa dada cultura. Ações e conselhos subsequentes, políticos ou não, são dados condescendentemente com base neste pressuposto.

O viés de confirmação leva a buscar reafirmação para este pressuposto dos próprios ‘líderes comunitários’ que mais têm a ganhar afirmando-o. Poucos param para perguntar-se por que é presumido que os três milhões de muçulmanos nas Grã-Bretanha, cuja vasta maioria não é religiosa, desejariam se comunicar com o público através de figuras conservadoras como Citizen Khan.[6][7]
Esta presunção não só é preguiçosa, como sugere que cada cultura é efetivamente um grupo estratégico homogêneo, cujos membros pensam da mesma forma e se ofenderiam igualmente pela mesma coisa, dos quais nenhum pode falar como um indivíduo, mas sim como selvagens nativos que precisam de ‘caciques’ para falar em nome da coletividade. Se buscar unidade na política é fascismo, então buscar unidade na religião é teocracia. O liberalismo preza diversidade interna em ambas.

Quando tal relatividade cultural se torna a norma, mais elementos progressistas e liberais dentro das comunidades religiosas ou grupos culturais minoritários são traídos, só daí para serem sitiados por todos os lados. Por esta busca reducionista pela ‘autenticidade’ cultural, qualquer coisa julgada ocidental é excluída incrementalmente pelos nossos neo-orientalistas como inautêntico, até que apenas as vozes mais conservadoras, dogmáticas e regressistas permanecem — que são, ironicamente, inteiramente um produto da modernidade em si mesmas.

Lamentavelmente, esta busca pela autenticidade é uma batalha que apenas os fundamentalistas e fascistas podem vencer. Bitolagem não é meramente generalizar uma cultura, religião ou raça para odiar. Os que generalizam uma cultura, religião, ou raça a fim de demonstrar um amor paternalista, mais adequado a um bicho de estimação, devem também ser considerados bitolados. E apenas as vozes mais regressistas têm a ganhar exagerando a sua cultura, religião ou raça, seja em desafio ou conformidade aos bitolados. O liberalismo deve buscar o indivíduo, não o estereótipo. Pois tais abordagens reducionistas nada são além de complexo de superioridade obsoleto que devia ter morrido junto com o Império.[8] Pois julgar os ‘pobres nativos’ como primitivos demais para captar o liberalismo, e por conseguinte lhes aplicar e julgá-los por um padrão inferior, é uma pobreza de expectativas.

Consideremos o exemplo da Law Society of England and Wales. No início de 2014, a Law Society, uma instituição necessariamente laica, publicou uma nota de prática aconselhando procuradores acerca de como elaborar testamentos de acordo com a “Lei Sharia“; exceto que não há uma única versão da Sharia e, em árabe, Sharia é um substantivo, não um adjetivo para descrever o substantivo “lei”. Estes parâmetros incluíam afirmações de que a “Lei Sharia” aprova a deserdação dos apóstatas e das crianças adotadas, e discrimina contra as mulheres. É verdade que o Direito Comum Inglês permite que a herança seja decidida de qualquer maneira que agrade ao testante. A preocupação aqui, no entanto, é sobre por que a Law Society tem o direito não só de intervir num debate intrarreligioso acerca da natureza da aplicabilidade do Islã hoje, mas que ao fazê-lo ela selecionou a forma mais regressista de medievalismo e a promoveu como o Islã “autêntico”,[9] assim traindo, e isolando mais ainda, os muçulmanos liberais reformistas desde o princípio.[10]
A publicação das caricaturas do jornal dinamarquês Jyllands-Posten é um caso a se considerar. Foi apenas quando a imprensa começou a se aproximar de certos ‘líderes comunitários’ que uma reposta raivosa tornou-se aparente, especialmente dado que apenas imames religiosos foram aproximados.[11]

Similarmente, recentemente retuitei um inócuo desenho, não feito por mim, de uma imagem chamada ‘Mo’ dizendo “Oi” a uma imagem chamada ‘Jesus’. A imagem chamada ‘Jesus’ dizia em resposta “Como vai?”. Fiz isso porque, como muçulmano, senti que era necessário passar a ideia de que não estava ofendido por uma caricatura benigna à luz da retratação da mídia de todos os muçulmanos como super-sensíveis. Fiz isso após ter participado de um debate televisivo sobre o assunto. Ironicamente, e enquanto veementemente discordava quanto ao véu, minha intervenção veio no contexto de tentar defender os direitos de uma muçulmana usuária do véu à qual haviam acabado de dizer que o véu dela ‘ofende’ as pessoas. Após afirmar o seu próprio direito de vestir o que quiser, esta senhorita respondeu a um homem ao lado dela que ele, no entanto, não podia vestir a sua camisa com o desenho descrito acima rotulado ‘Mo’, pois ele a ofende. Minha resposta foi que as pessoas estão livres para se sentirem ofendidas com a maneira como me visto, mas não estão livres para insistirem que me vista de uma maneira que não as ofenda. Este princípio se aplica a todos, de maneira justa. Então retuitei que não estava ofendido pelo desenho rotulado ‘Mo’. A blasfêmia está nos olhos de quem vê. Por conseguinte, fui inundado com uma torrente de abusos e ameaças violentas por alguns muçulmanos sonoros porém reacionários. Mais revelador foi o castigo vindo de muitos neo-orientalistas não-muçulmanos que me acusaram de ser insensível para com os ‘sentimentos dos muçulmanos’, como se eu próprio não fosse um desses muçulmanos com alguns ‘sentimentos’ que careciam de expressar.

E então vieram os ataques ao Charlie Hebdo em Paris.

Pegar a via fácil condenando os radicais por causarem problemas sem necessidade é arrebatadoramente tentador, e incrivelmente preguiçoso. Os liberais enxergariam por instinto as dores do parto do progresso através dessa heresia. O relativismo cultural criou uma situação absurda na qual as minorias-dentro-das-minorias não estão mais livres para progredir com os debates intraculturais. Recordo de uma vez, quando criança, que um transeunte se aproximou de um casal gay na rua e lhes disse para não se darem as mãos em público, perguntando ao casal gay “vocês estão tentando deliberadamente nos ofender”. Nada mais a declarar.

A minoria inconveniente
E assim a maior alicerce da liberdade, a liberdade de expressão, como definida pelo Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos,[12] está sendo erodido por identidades de grupo excludentes. Estes grupos lutam para competir quanto a quem está mais ofendido, e quem tem mais direitos. Agora se espera que a sociedade civil se autocensure e o termo ‘tolerância’, como explicado por Flemming Rose, “não se trata mais da habilidade de tolerar coisas de que não gostamos, mas se trata mais da habilidade de ficarmos quietos e nos refrearmos de dizer coisas que os outros podem não gostar de ouvir’.[13]

Isto me traz ao termo ‘Islamofobia’, frequentemente empregado — até contra outros muçulmanos — como um escudo contra qualquer crítica, e como uma mordaça na livre expressão. Se a heresia deve ser celebrada, segue-se que nenhuma ideia, não importa quão ‘profundamente prezada’ ela seja, deve ganhar um status especial. Pois há sempre uma crença igualmente ‘profundamente prezada’ em oposição a ela. O ódio motivado especificamente para alvejar os muçulmanos, gente como eu, deve ser condenado.

Mas confundir este ódio com a sátira, o questionamento, a pesquisa, a reforma, a contextualização ou a historização do Islã, ou de qualquer outra fé ou dogma, é tão bom quanto retornar à Inquisição de Galileu. Segue-se, portanto, que qualquer liberal preocupado naturalmente com uma sociedade justa deve primeiro defender-se abertamente contra a erosão da livre expressão, em especial quando é feita enganosamente em nome dos direitos das minorias.

Em meio a uma onda de autodúvida, leis de blasfêmia, embora formalmente abolidas no Reino Unido, estão efetivamente sendo reavivadas por um clima cultural que se supõe ser liberal porém sustenta o iliberalismo. Em última instância, restrições sobre a liberdade de expressão realizam apenas uma coisa — a dominação dos ideias regressistas. Os reacionários são os primeiros a se ofender, e os primeiros a exigir ação punitiva contra os que eles julgam ofensivos. Desta maneira, empoderamos ativamente dogmas iliberais em nome da diversidade, enquanto abandonamos os ativistas vulneráveis dentro das minorias em nome do ‘respeito pela diferença’.

A reticência neo-orientalistas é em parte movida por uma preocupação genuína com uma reação racista contra as comunidades minoritárias por fanáticos da direita. A Grã-Bretanha se tornou um lugar onde racistas brancos e fundamentalistas cristãos se aliam à Direita em questões domésticas, enquanto o islamistas e fundamentalistas muçulmanos se aliam à esquerda em questões de política externa. Os dois grupos são capazes de se apropriar da retórica política de cada ala política para alimentar a sua narrativa de vitimismo. Os dois são capazes de intimidar o ‘outro’. Embora este medo do racismo seja genuíno — eu pessoalmente tive que suportar ser violentamente alvejado por racistas por um longo período –, ignorar o extremismo islamista em nome do respeito pela diferença somente dará mais poder ao racismo alimentando a narrativa de vitimismo da Extrema Direita. Os dois extremos estão em perfeita simbiose, alimentando-se um do outro para justificar as suas queixas respectivas. Mas a diferença entre imparcialidade e tribalismo é a diferença entre escolher princípios e escolher lados. Apenas uma tocha liberal pode brilhar consistentemente através da névoa dos extremistas islamistas e da extrema direita e afirmar-se com qualquer nível de consistência.
George Orwell disse, “O negócio é que a relativa liberdade de que desfrutamos depende da opinião pública. A lei não é proteção nenhuma. O governos fazem leis, mas se elas são seguidas efetivadas, e maneira como a polícia se comporta, depende do temperamento geral no país. Se grandes números de pessoas estão interessados na liberdade de expressão, haverá liberdade de expressão, ainda que a lei a proíba; se a opinião pública é preguiçosa, minorias inconvenientes serão perseguidas, ainda que leis existam para protegê-las (…)”. À admirável preocupação de Orwell pelas minorias inconvenientes, adicionaria apenas uma ideia: o custo de trair o direito à heresia das pessoas é que as inconvenientes minorias-dentro-das-minorias são, de fato, os primeiros a serem perseguidos.

Notas:

9. Veja the Law Society, Sharia succession rules, 13th March 2014 e uma resposta da Lawyers Secular Society (LSS) ‘The Law Society should stay out of the theology business’
10. Apenas após uma louvável campanha, de ninguém menos que a Lawyer’s Secular Society e a One Law for All, entre outra, que a Law Society finalmente – e silenciosamente – derrubou esta nota de prática.
11. Veja Enemies of free speech de Kenan Malik, Index on Censorship, Vol. 41, No. 1, 2012.
12. O Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos declara que ‘Todos têm o direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de ter opiniões sem interferência e de buscar, receber e comunicar informação e ideias através de quaisquer meios e independentemente de fronteiras’.
13. Flemming Rose, editor cultural do jornal dinamarquês JyllandsPosten, no ensaio de Kenan Malik Enemies of free speech, Index on Censorship, Vol. 41, No. 1, 2012.

Link para o original.

Maajid Nawaz é um ativista, autor, colunista e político britânico. Foi candidato ao parlamento britânico pelos Liberais Democratas. É autor da sua autobiografia Radical, onde revela sua jornada de saída do extremismo islamista. É também cofundador e líder da Fundação Quiliam, um think tank contraextremista que busca desafiar as narrativas dos extremistas islamistas.

Notas:
1. David Laws e Paul Marshall (eds), ‘The Orange Book: Reclaiming Liberalism’, London, 2004
2. Erika Harris, Nationalism: Theories and Cases, Edinburgh, 2009
3. Improving the Lives of Girls and Women in the World’s Poorest Countries, DfID
4. Evening Standard, ‘Ann John: I was branded a colonialist for fighting against ‘barbaric’ FGM’, Anna Davis, 28 March 2014.
5. John Maynard Keyes, ‘Am I a Liberal?’, Liberal Summer School, August 1 1925
6. Citizen Khan, Sitcom da BBC One, escrito e interpretado por Adil Ray
7. Veja Amartya Sen: ‘Identity and Violence’ Allen Lane, London 2006
8. Para uma leitura mais aprofundada veja Edward W. Said, ‘Orientalism’, 1978

Autor: Maajid Nawaz

FONTE:

http://www.bulevoador.com.br/2015/11/sobre-a-blasfemia-parte-1/

http://www.bulevoador.com.br/2015/11/sobre-a-blasfemia-parte-2/

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