Publicado por: Conselheiro Fnord | 07/10/2015

MUNDO DISCORDIANISTA e FNORDS: Noam Chomsky e a mídia – parte I


Os donos dos meios de comunicação decidem o que você deve ou não saber nos noticiários? Noam Chomsky, considerado o Einstein da Linguística moderna e o maior crítico da política norte-americana, investigou se há alguma relação entre a verdade e aquilo que diariamente nos é informado pelo governo, TV, rádios, etc. Manufacturing Consent (1988) foi a obra que reuniu estudos estruturais sobre a formação ideológica dos meios de comunicação e a função social que eles desempenham. A mídia tem o propósito de tornar os indivíduos mais responsáveis e participativos politicamente. Mas, segundo Chomsky, existe uma profunda diferença na forma como a mídia devia funcionar e como, de fato, ela opera.

O controle da opinião das massas é um artifício inerente à nossa sociedade moderna. Em um exemplo clássico, na Guerra da Independência dos EUA, defensores das liberdades individuais, como Thomas Jefferson, eram contraditoriamente favoráveis ao castigo físico para quem “pensasse em trair a ordem revolucionária”. Mesmo sendo a liberdade de expressão um dos pilares do iluminismo, a repressão contra opiniões divergentes não havia perdido a validade no mundo prático. É comum perceber, por exemplo, o caráter quase sempre violento e sanguinário das revoluções burguesas, embora tenham nos legado significativas conquistas em direitos civis e fundamentais.

No entanto, à medida que as pessoas conquistam direitos, a sociedade se torna mais democrática e, consequentemente, seus membros se sentem mais dispostos a reagir quando o uso da força ameaça a liberdade. O castigo físico, portanto, precisou ser substituído por métodos mais sutis de doutrinação e controle da mente; ou, em termos chomskianos, “a propaganda está para a democracia assim como o cassetete está para a ditadura”. Para demonstrar o quanto isso é verdadeiro, basta examinar a teoria do pensamento liberal-democrático criada por Walter Lippman, em seu livro Public Opinion (1922), onde ele sugere que “os fatos mais importantes da vida política só podem ser compreendidos por uma classe de executivos ou uma elite especializada”, e ainda insiste dizendo que “é preciso afastar as manadas ignorantes dos assuntos de interesse público”.

De acordo com Lippman, essa mudança no conceito de democracia nos levaria a uma “fabricação de consenso”, impedindo que os rebanhos desorientados pisoteiem o processo político. Mediante o uso de sistemas de propaganda, a mídia formula uma agenda social, econômica e política que represente os interesses de megacorporações altamente lucrativas, impondo ao senso comum uma visão de mundo incompleta e limitada sobre questões importantes. Ou seja, é necessário desviar a população dos assuntos realmente prioritários, dando-lhe um realidade forjada que raramente corresponde à realidade original. Graças ao trabalho monumental de Chomsky, a análise institucional da mídia nos deu a habilidade de discernir o que antes era apenas um mistério: a opinião pública da opinião publicada.

Fonte: http://www.bulevoador.com.br/2015/10/noam-chomsky-e-a-midia/

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