Publicado por: Conselheiro Fnord | 01/07/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: Não sobra espaço para o Criacionismo


A figura asquerosa de Marco Feliciano justificou que o Criacionismo deve ser ensinado nas escolas porque a Teoria da Evolução, segundo ele, não possui comprovação científica, e assim caberia à religião cristã propor uma alternativa diferente nas aulas de Biologia. Entretanto, o argumento de Feliciano e demais criacionistas esconde uma contradição muito curiosa: ao duvidar da biologia evolutiva pela suposta falta de provas empíricas, eles empregam um critério epistemológico segundo o qual, na ausência de evidências satisfatórias, a credibilidade de uma hipótese deverá ser reduzida ou marginalizada.

Vinda de religiosos, essa postura crítica seria ainda mais convincente se afetasse a crença que eles próprios direcionam ao pacote de fábulas da Bíblia Sagrada, como o Jardim do Éden e a Arca de Noé. Afinal, onde estão as evidências da criação sobrenatural? Antes de tomar o livro de Gênesis como uma verdade absoluta, seria indispensável suspeitar de sua autoria e inspiração divina, pois, como um bom leitor, no mínimo eu esperaria do Criador do Universo um pouco mais de elegância literária em suas escrituras sagradas.

Pela injustiça que comete, a acusação de que a ciência não comprovou a Teoria da Evolução merece ser suspensa, ou melhor, devolvida aos nossos adversários criacionistas. Não é com Criacionismo que os estudantes aprenderão, passo a passo, a datação geológica dos fósseis pela desintegração radioativa. A Bíblia tampouco informa sobre nada a respeito do mapeamento do genoma humano e sua semelhança com o material genético dos outros seres vivos, formando um intrincamento formidável de espécies extintas e suas ramificações posteriores. Os adeptos da Terra Jovem, ao negarem estes fatos, põe a educação de milhares de pessoas em sério risco, pois desonestamente transformam a Teoria da Evolução em um pecado contra Deus, senão algo pior.

Um livro científico, um museu ou um pequeno laboratório já seriam suficientes para convencer qualquer mamífero de que, por mais lacunosa que a Teoria da Evolução pareça ser, ela é a única e comprovada explicação sobre a diversidade de seres vivos no nosso planeta. Precisamos ensinar a cosmogonia cristã às crianças em aulas relacionadas com a história e a filosofia das religiões, para introduzirmos outros mitos de origem cultural distinta, como a hindu, nórdica, egípcia, budista, grega, brâmane, etc., e não somente o mito judaico. E que sejam interrompidas todas as formas de doutrinação e imposição de crenças pessoais, inofensivas ou não, pois o propósito da educação é encorajar o livre pensamento e excitar a imaginação, a criatividade e a curiosidade das crianças e jovens. Crianças conformadas com os ensinamentos bíblicos dariam o tipo perfeito de eleitor e dizimista fiel, e só então realizariam o sonho de muitos vigaristas mundo a fora, tornando-se até um deles.

Para Feliciano, os biólogos ainda não nos ofereceram nenhuma resposta tangível que substitua os mistérios da criação. Será que esses pastores-deputados (e não deputados-pastores) se renderiam, efetivamente, aos milhares de indícios e evidências em favor da evolução, sem impedir que esse conhecimento puramente científico se desenvolva nas escolas? Às vezes, sinto que alguns cristãos alimentam um profundo ressentimento contra a razão por causa das várias experiências que humilharam a fé e envergonharam seus adeptos. Pela fé autoritária dos inquisidores católicos, Galileo Galilei quase foi empurrado à fogueira santa que o queimaria vivo junto à sua afirmação, baseada em observações telescópicas, de que a Terra não era o centro do Universo, conforme Copérnico havia proposto.

O que teriam feito a Darwin se, no lugar do Sidereus Nuncius obra publicada por Galilei que aplacou o geocentrismo fosse A Origem das Espécies a cair nas mãos da Inquisição lunática em pleno ápice da Idade Média? Por que o Gênesis bíblico deseja tanto se comparar à sofisticação da ciência e, não conseguindo, tenta reduzi-la a algo inverídico e torpe? É provável que os religiosos, ao reconhecerem a longa desvantagem em que se encontram, dediquem parte de suas vidas a pôr a Teoria da Evolução e a Seleção Natural no mesmo nível de mediocridade e improcedência que bem define o Criacionismo.

FONTE: http://www.bulevoador.com.br/2015/07/nao-sobra-espaco-para-o-criacionismo/

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