Publicado por: Conselheiro Fnord | 12/05/2014

MUNDO DISCORDIANISTA: Discordar de Quê??


Do alto de minha sabedoria em saber que só sei que nada sei [desce mais uma rodada de redundância por favor], pretendo começar uma série onde darei minha visão sobre a Filosofia Discordiana, essa coisa totalmente pirada pela qual me apaixonei há algum tempo, e que, sinceramente, adoraria que o maior número possível de pessoas conhecesse. O Discordianismo é definido na Wikipédia tanto como religião como também sátira de religião, e há ainda outros textos internet afora que o definem como “Religião Freak”. Pode ser.

Mas num mundo com tantos católicos não-praticantes com um pé na Seicho-no-ie, gente que se diz budista só porque “é legal dizer que é budista”, outros tantos que acham que rastafári é só um estilo capilar e sei lá quantas novas religiões que vem surgindo desde a década de 1930 dizendo “não somos uma religião, mas uma filosofia de vida em que você é livre”, olhar o Discordianismo apenas pelo aspecto filosófico é algo bastante pertinente (com o perdão do “apenas”). Então vamos à explicação básica.

É bastante comum textos sobre Discordianismo explicarem que sua figura central é Éris, controversa deusa grega da confusão, conhecida como Discórdia entre os Romanos. Isso é verdade e é importante, mas vejo coisas mais importantes a serem vistas. O Principia Discordia, livro base da filosofia discordiana, não é necessariamente um livro sobre mitologia. Muito pelo contrário. Ali, Éris faz Atena, Afrodite e Hera lutarem entre si pra decidirem quem é a mais bela (e, portanto, merecedora da maçã dourada), mas depois vai comer um cachorro quente. Essas contravenções ao conhecimento mitológico – ou “licenças poéticas”, como diriam uns – acabam sendo importantes para expulsar teóricos chatos apegados à história e à mitologia oficial.

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Pernalonga lendo o Principia Discordia. Créditos: Tumblr Fnords

Logo, não é a base na mitologia grega o mais importante a se saber do Discordianismo, e sim o que Malaclypse, o Mais Jovem (identidade atribuída a Greg Hill, dos nomes mais importantes do início da “religião freak”) fez, a partir daquilo que ele disse ser seu contato com a deusa Éris.

A meu ver, o trecho do Principia Discordia conhecido como “Um Sermão sobre Ética e Amor” é uma das partes mais importantes para se entender toda a filosofia da coisa. É a partir dele que é possível responder a pergunta do título: “Discordar do quê?”. Segue abaixo um trecho:

Éris: O QUE O ABORRECE, MAL? VOCÊ NÃO SOA BEM.

Malaclypse: "Eu estou cheio de medo e atormentado com visões terríveis de dor. Em todos os lugares as pessoas estão ferindo umas as outras, o planeta é coberto de injustiças, sociedades inteiras saqueiam grupos de seu próprio povo, as mães encarceram os filhos, as crianças perecem enquanto irmãos guerreiam. Ó Aflição!”.

E QUAL É PROBLEMA COM ISTO, SE É ISTO O QUE QUEREM FAZER?

“Mas ninguém quer isto! Todo o mundo odeia isso".

OH. BEM, ENTÃO PAREM.

Neste momento Ela se transformou em um comercial de aspirina e deixou o Polipadre encalhado com a sua espécie.

Principia Discordia, p. 00038

Sermões da Montanha à parte, a resposta de Éris às lamentações do Polipadre Malaclypse é bem sincera: “Bem, então parem”. Ora, não se trata mais de orar e fazer meditações pela paz mundial, pois essa paz necessita de 7 bilhões de indivíduos para acontecer. De que adianta discursar pela paz mundial, como uma candidata a Miss, se qualquer fechada no trânsito já é o bastante para você criar uma confusão?

Discordianismo é sobre discordar das massificações de responsabilidades. É ver o quão bizarro é alguém escapar de um acidente de trânsito, dizer que “foi Deus”, enquanto outros sei lá quantos morreram num acidente de ônibus na viagem que os levaria a se encontrar com o Papa. É entender que tudo é trágico se não fosse cômico, ou é cômico se não fosse trágico. Discordianismo é sobre discordar do modelo de religiões repressoras, que aí estão instituídas no chamado “Caminho da Mão Direita”, e também discordar de outras tantas religiões de uma falsa libertação no “Caminho da Mão Esquerda”, sem, nem por isso, deixar de contestar o modelo de ateísmo que muitos pensadores defendem.

Discordianismo é sobre ter a consciência que tanto o fato de Deus existir como o de Deus não existir não resolvem o problema de ninguém. Importante, mesmo, é se livrar maldição do Caracinza e se recusar a ser infeliz em nome de um bem maior que, afinal, sempre mora no campo das ideologias.

“E o que seria a Maldição do Caracinza?”

FONTE: http://www.enkijr.com/2014/03/um-sermao-sobre-etica-e-amor.html

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Responses

  1. Seu ateismo é igual o meu quando tinha 20 anos. Sempre entrava onde não deveria. É aquela frase famosa “o ateu nunca perdoa deus por sua inexistência”.

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