Publicado por: Conselheiro Fnord | 31/07/2013

MUNDO DISCORDIANISTA e OPERAÇÃO MINDFUCK: Por que a destruição de imagens sacras na Marcha das Vadias fez ma is mal do que bem


Por que a destruição de imagens sacras na Marcha das Vadias fez mais mal do que bem

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Na Marcha das Vadias do último sábado, um casal promoveu uma cena que revoltou muita gente e, de qualquer jeito, foi sim um ato de intolerância religiosa: a destruição de imagens sacras católicas. Afirma-se pela internet que a intenção do vandalismo foi afrontar a Igreja Católica e seus históricos abusos que fomentaram ao longo dos séculos a violência, a teocracia tirânica, a submissão feminina, a misoginia, a tortura, a intolerância contra religiões minoritárias etc. Porém, o fim não justifica os meios e o que se conseguiu foi atrair a antipatia de potenciais aliadas(os) do feminismo.

O tal casal agiu de forma nada diferente de grupos antipáticos e queimadores de filmes como a ATEA e o Femen, promotores de formas intolerantes e burras de radicalismo que mais fazem mal do que bem às causas humanistas. Tais entidades parecem acreditar que agredir e combater as crenças religiosas das pessoas vai criar um mundo melhor e livre de injustiças, quando na verdade estão não combatendo-as, mas sim substituindo as opressões religiosas por seculares.

Existem inúmeras outras formas de se questionar e recusar a autoridade do papa e a essencialidade de uma hierarquia de poder na religião católica, sem que se agrida de tal forma as crenças espirituais das pessoas. Da mesma forma, tenta-se por meios diversos livrar religiões como o Candomblé do costume do sacrifício de animais, sem que se recorra à destruição de seus ídolos sagrados e à violação de suas divindades.

Cheguei a imaginar que esse casal fosse um par de infiltrados, visto que tentou femenizar a Marcha das Vadias com o malicioso intuito de prejudicar sua imagem, afastar potenciais aliadas(os) do feminismo e dar razão aos conservadores em torno da crença de que o feminismo é mau. Pois bem, o ato destrutivo em nada ajudou as(os) feministas a livrarem aquela multidão de católicos de crenças ideológicas opressivas pelo contrário, pode ter insuflado em muitas(os) a crença de que ser feminista é pecado, leva ao desrespeito contra a espiritualidade alheia e constitui uma agressão a Deus e a seus santos e santas.

Da mesma forma que os paganismos, as religiões afro e as crenças indígenas, o catolicismo também é uma religião que deve ser respeitada em sua espiritualidade. Da mesma forma, suas divindades e subdivindades não devem ser profanadas, sob risco de desrespeitar a fé alheia e ameaçar a liberdade de crença das pessoas. Quem deve ser afrontado é a Igreja Católica, sua hierarquia machista, seus dogmas ideológicos e seus interesses políticos, e não a crença nas santas e santos, na trindade, na divindade de Jesus, na santidade de Maria e outros aspectos que nada têm a ver com as opressões historicamente empreendidas pelos papas, cardeais e outros integrantes da hierarquia eclesiástica católica.

Em outras palavras, não devemos confundir a espiritualidade dos católicos, assim como o profundo significado que eles dão às imagens sacras, com a preconceituosa instituição Igreja Católica. Até porque, além de não serem necessariamente a mesma coisa, não é impossível que surja nas próximas décadas ou séculos um novo cisma católico que dê origem a uma nova vertente cristã que rejeite a autoridade da igreja apostólica romana e de qualquer clero e, ao estilo dos neopagãos, se dedique a uma espiritualidade autônoma, que livre de intermediários a ligação entre os católicos e seu deus.

Além disso, não se pode dizer que objetivamente imagens sacras são apenas estátuas de barro. Além disso ser o mesmo ponto de vista dos cristãos intolerantes que discriminam a idolatria de outras crenças, sejam elas cristãs ou não, não é coerente impor aos católicos que as imagens que para eles têm uma forte representação simbólica sagrada nada mais são do que estátuas sem valor. Não se deve tratar as imagens como se fossem meras forjas do Vaticano para enganar os fiéis católicos.

E um outro problema da performance do casal foi afrontar da mesma forma a todos os católicos, como se todos fossem conservadores preconceituosos e anti-humanistas e esquecendo-se que há muita gente progressista, incluindo muitas(os) feministas, que atribui significados religiosos profundos às imagens sacras e não gostou de ver tal cena, sentindo-se aviltada(o) em sua fé. A intenção de protestar contra o histórico reacionarismo assassino da Igreja Católica acabou agredindo também pessoas de esquerda, anticonservadoras.

Portanto, fica patente aqui meu repúdio contra a ação, que, tal como as agressões por parte dos P2, de outros infiltrados e dos coxinhas nos protestos que aconteceram e ainda acontecem pelo Brasil, deve ser impedida e repreendida caso ameace voltar a acontecer nas próximas manifestações. A espiritualidade das pessoas merece respeito, visto que não é ela que causa as opressões e injustiças e deve ser combatida.

Autor: Robson Fernando de Souza

Fontes:

Consciencia.blog.br

http://www.bulevoador.com.br/2013/07/por-que-a-destruicao-de-imagens-sacras-na-marcha-das-vadias-fez-mais-mal-do-que-bem/

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