Publicado por: Conselheiro Fnord | 11/03/2013

ERÍSTICA, FALÁCIAS e FNORDS: CETICISMO


Resposta do Luciano Ayan quanto à objeção: Você gasta muito tempo questionando as três rotinas centrais do cientificismo isso não pode confundir os leitores em relação ao foco do ceticismo político (que devia ser mais amplo)?

Em uma outra ótima objeção, é importante para mim esclarecer que o ceticismo político não se resume a questionar as três rotinas básicas do cientificismo: sou da razão, represento a ciência e sou cético (em termos universais). Qualquer alegação que gere um benefício para uma parte em detrimento de outra é uma alegação política, e portanto é foco do ceticismo político.

Assim, alguém dizer eu represento a ciência é tanto uma alegação política como é afirmar que a ditadura do proletariado é viável ou os impostos devem aumentar. Todas são alegações que, se aceitas, geram benefício a uma pessoa ou grupo e uma desvantagem a outra pessoa ou grupo.

É quando devo responder a pergunta: se a alegação os impostos devem aumentar é tanto uma alegação política como as três rotinas básicas do cientificismo, por que eu gasto tanto tempo no questionamentos a estas três rotinas?

A resposta é mais simples do que parece: grande parte do meu método se sustenta na recuperação dos princípios originais do ceticismo, relacionados ao questionamento à autoridade moral injustificada. Entretanto, hoje o senso comum entende o ceticismo como se fosse o questionamento ao paranormal e ao sobrenatural.

Para resolver este enigma, podemos dividir as alegações políticas em duas classes, aparentemente arbitrárias, mas utilíssimas para nos ajudar a resolver o problema: (1) alegações políticas tradicionais, que dão um benefício específico a uma pessoa ou grupo em detrimento de outra pessoa ou grupo, (2) alegações políticas de auto-proteção, que não só dão o benefício mencionado anteriormente, como também criam uma blindagem automática, perante os incautos, para que seus alegadores não sejam questionados. Nesta segunda categoria, estão as três rotinas fundamentais do cientificismo.

Estas rotinas são feitas para que seu usuário consiga passar incólume, perante a plateia, como alguém que não deve ser questionado quando apresenta suas ideias, independente do quanto absurdas sejam, pois este já terá vendido a ideia de que é da razão, cético (em termos universais) ou representante da ciência. Com estas credenciais, o proponente automaticamente espera que qualquer ideia sua passe por cima da crítica da patuleia, pelos rótulos auto-impostos.

Podemos dizer que esta segunda categoria de alegações é extremamente sofisticada, pois ela não apenas gera o benefício político para seu propagador, como também cria um escudo automático para as ideias deste propagador, por este ter convencido o público de que se auto-questiona ou se auto-valida, até por representar a ciência ou o ceticismo.

Por isso, questionar estas três rotinas torna-se um empreendimento prioritário, pois, caso estas rotinas não sejam questionadas, não há mais nada a fazer em qualquer debate que seja perante um alegador que as utilizar com sucesso.

As três rotinas base do cientificismo não só dão o benefício político para seus alegadores, como também são responsáveis pelo esvaziamento do conceito de ceticismo que hoje temos cravado no senso comum. Em muitos casos basta eu falar usemos o ceticismo, que a mente de muitos, especialmente dentre os teístas, simplesmente trava, pois alguns destes acham que o ceticismo é algo feito para desmascarar crenças relacionadas ao paranormal e ao sobrenatural. Não, o ceticismo é feito para toda e qualquer alegação.

Assim, para recuperar a origem do ceticismo, devemos ensinar o máximo de pessoas o quanto possível a questionar toda e qualquer alegação política. Mas ainda mais essencial é questionar as três alegações base do cientificismo, as quais fizeram que o ceticismo se tornasse hoje em dia apenas um rótulo para a capitalização política, totalmente esvaziado de seu sentido original. Em suma, estas três rotinas tiraram (ao menos diante do senso comum) todo e qualquer sentido para expressões como razão, ciência e ceticismo.

Na busca de recuperarmos a origem do ceticismo, focado no questionamento à autoridade injustificada, é imperativo questionarmos prioritariamente as três rotinas base do ceticismo.

Em síntese, se alguém diz representar a ciência, deve provar fazê-lo, assim como se alguém alegar que é da razão, deve demonstrar comportamentos congruentes com isso, e, finalmente, se alegar que é cético (em termos universais), deve ter seu ceticismo colocado à prova.

Sem o questionamento à estas três rotinas, o restante do empreendimento proposto aqui perde praticamente todo o significado.

Enfim, a ideia não é apenas prover ferramentas para que alguém questione toda e qualquer alegação política, mas, especialmente, recuperar o fundamento básico do ceticismo (o questionamento à autoridade injustificada), e para isso é prioritário colocar as três rotinas centrais do cientificismo na parede.

FONTE: http://lucianoayan.com/2013/03/09/objecao-voce-gasta-muito-tempo-questionando-as-tres-rotinas-centrais-do-cientificismo-isso-nao-pode-confundir-os-leitores-em-relacao-ao-foco-do-ceticismo-politico-que-devia-ser-mais-amplo/

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