Publicado por: Conselheiro Fnord | 31/01/2013

FNORDS, ERÍSTICA, FALÁCIAS etc…


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Dicas para se tornar um consumidor crítico de notícias e conteúdo de mídiado

http://lucianoayan.com/2013/01/30/dicas-para-se-tornar-um-consumidor-critico-de-noticias-e-conteudo-de-midia/

O livro underground How to Detect Media Bias & Propaganda, de Richard Paul e Linda Elder, dá ótimas dicas a respeito de como podemos nos precaver da manipulação midiática.

Paul e Elder começam nos lembrando que a democracia pode ser uma forma efetiva de governo apenas na medida em que o público (que o governaria, em teoria) está bem informado a respeito de eventos nacionais e internacionais e pode pensar independentemente e criticamente a respeito destes eventos.

Mas a verdade é que a maioria das pessoas não consegue identificar o partidarismo e o viés na mídia, e, neste caso, tornam-se presas indefesas dos organismos que a controlam. O governo é o mais poderoso de todos estes organismos.

A única forma de se obter conteúdo útil, mesmo a partir de propaganda embutida em notícias e artigos enviesados, é através da capacidade de filtrar o conteúdo das notícias. Isto envolve desenvolver a capacidade de avaliar o conteúdo com uma consciência clara do que pode estar embutido neste conteúdo. Você deve ser capaz de identificar o viés, o partidarismo e as agendas, mesmos aquelas escondidas, além de descobrir quais pontos de vista são omitidos ou distorcidos.

Algumas perguntas-chave que você deve fazer quando for avaliar e interpretar o conteúdo produzido pela mídia:

  • Qual é a audiência alvo?
  • Quais pontos de vista estão sendo privilegiados, e quais estão sendo prejudicados?
  • Como eu posso obter acesso aos pontos de vista que estão sendo prejudicados?
  • Quais notícias estão na primeira página e por qual motivo?
  • Qual informação está escondida nos artigos e por que?

Passos para se tornar um consumidor crítico de notícias:

  1. Entender basicamente como funciona a construção de notícias de acordo com a agenda do jornalista ou articulista: Um jornalista de esquerda, por exemplo, vai focar em seu público de esquerda, ou que está apto a aceitar o conteúdo direcionado à esquerda. O objetivo dele é, além de escrever para o seu público, capturar e influenciar alguns que ficam no meio do campo. Quando alguém escreve qualquer notícia ou crônica, tende a determinar:
    • (a) O que a audiência considerará como sendo uma notícia (o que é interessante para eles)
    • (b) Em relação ao conteúdo, o que seria mais ou menos relevante ao público alvo
    • (c) Padrões de como construir manchetes (para dar uma definição inicial ao leitor)
    • (d) Qual espaço a ser dedicado para um conteúdo em particular
    • (e) Como relacionar o conteúdo com outros conteúdos de forma que isso seja facilmente assimilável pelo público que se acostumou com o que você publica
    • (f) Como fazer este conteúdo parecer profissional (objetivo, e sem viés) aos leitores note que aqui se fala apenas de impressão de apartidarismo, e não do apartidarismo de fato
  2. Utilizar seu conhecimento da lógica mencionada acima, que é a lógica da construção de conteúdo de mídia, primeiramente, para desconstruir este conteúdo nas notícias, e em seguida reconstrui-los, de forma imaginária, com perspectivas alternativas.
  3. Aprender como redefinir questões, acessar fontes alternativas (tanto de dentro como de fora do mainstream), colocando os eventos em uma perspectiva histórica, avaliando premissas e implicações.
  4. Aprender como identificar conteúdo de baixa-credibilidade pela identificação imediata do interesse investido ou ideologia associada com o conteúdo.

Por fim, nunca caia no erro de levar ao jornalista sua vontade de busca de imparcialidade na mídia, pois, se o jornalista (como ocorrerá quase sempre) de fato constrói suas notícias e textos com base em sua posição política, ele jamais reconhecerá existir qualquer forma de viés. Pelo contrário, ele dirá de pé juntos que tudo que ele publica é sempre apartidário, dando uma visão objetiva dos fatos.

A obrigação do criticismo é do leitor, não do confeccionador das notícias. Assim como a avaliação independente de um produto é do seu comprador, e não do publicitário e da equipe de marketing.

Técnica de propaganda: Asserção

http://lucianoayan.com/2013/01/31/tecnica-de-propaganda-assercao/

Possivelmente a forma mais simples e primitiva de propaganda, e que nunca deixou de ser utilizada. Se baseia simplesmente em apresentar uma ideia sob debate como se fosse um fato, sem usar qualquer argumento a esse favor.

Grande parte da campanha publicitária é baseada em asserções. Exemplos:

  • Gatos que comem ração Nutri-Carbo são mais espertos
  • Safe Family, tornando sua vida mais segura desde 1930

Parece óbvio? Claro que é. Outros exemplos de asserções:

  • O melhor filme de terror de todos os tempos
  • Os paulistanos preferem o Partido X

Como se nota, é assim que funcionam as asserções, ao invés dos argumentos. Sem uma estruturação lógica que a sustente, é esperado que o ouvinte a comprar a propaganda não investigue as razões para a alegação.

Em 1984, o Ministro da Verdade se baseava em três asserções:

  • Guerra é paz
  • Liberdade é escravidão
  • Ignorância é força

Em algumas instâncias, é possível que a asserção venha sustentada por fatos, como nove entre dez médicos preferem receitar a pomada Y. Mas, é claro, os tais fatos nunca estão concatenados dentro de um argumento lógico.

Enfim, a asserção é extremamente comum e em debates políticos funciona melhor quando combinada com outras técnicas.

Quando um dos lados já possui a confiança da platéia, a tendência é que esse lado fique mais confiante em usar asserções.

Na próxima vez em que estiver lendo um texto relacionado a política, ou mesmo atuando em um debate político, preste mais atenção às afirmações que o outro lado tentará implementar para se beneficiar, mesmo que estas afirmações tragam idéias disputadas, apresentadas como se fosse um fato.

Aí você verá que a asserção está presente em quase todos os discursos propagandísticos.

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