Publicado por: Conselheiro Fnord | 24/08/2012

MUNDO DISCORDIANISTA: TEORIAS…


Você já parou para pensar sobre o que é uma teoria? Como nasce uma teoria? Como se valida ou invalida uma teoria? Comecemos do princípio.

O que são teorias?

Teorias são ideias, ideias são teorias.

As teorias podem ser simples, podem ser complexas, podem ser praticáveis, podem ser impraticáveis, podem ser utilizáveis, podem ser inutilizáveis, podem funcionar, podem não funcionar, podem chegar a conclusões inesperadas, enfim, podem ou não, dar respostas satisfatórias para solucionar os problemas que são apresentados. Tudo depende da possibilidade ou não de se traduzir essa ideia em algo mensurável.

Como nasce uma teoria, afinal?

Toda teoria nasce fundamentalmente como algo de caráter filosófico. Nasce de um experimento mental, uma ferramenta imaginativa do nosso intelecto, que tenta responder a uma pergunta, que traduzirá o que vemos na tentativa de explica-lo e/ou melhora-lo.

Uma teoria nasce filosoficamente, como a possível resposta a uma pergunta, e que é resultado de uma série de observações, e as suas conclusões deverão passar pelo crivo da experimentação para tornar-se uma teoria científica.

O ser humano observa o mundo a sua volta e se pergunta como ele funciona, como é possível explica-lo, melhora-lo. Como é possível aprender e tirar melhor proveito dele? A partir do momento que a resposta se cristaliza em nossa mente, ela ainda é uma resposta fundamentalmente filosófica. A verificação dessa resposta por meio de experimentos é o que fará com que saia do âmbito filosófico para o âmbito da realidade.

Um bom exemplo de como nasce uma teoria é o caso de Einstein. Ele desenvolveu suas teorias da relatividade restrita e geral, na tentativa de responder as seguintes perguntas: O que aconteceria se eu viajasse à mesma velocidade que a luz? O que eu veria ao estar lado a lado com um dos fótons que compõe essa luz e olhasse diretamente para ele?

Através da imaginação criativa, ele fez essa viagem, e ao voltar trouxe a bagagem necessária, contendo as informações para desenvolver as teorias, as possíveis respostas para as perguntas formuladas.

A resposta cristalizou-se no ano de 1905, mas, ainda assim, era uma resposta puramente filosófica, que só pôde tornar-se parte de uma resposta científica em 1918, quando, através de experimentos, uma de suas teorias foi comprovada.

Uma teoria filosófica só se torna uma teoria científica, quando passa pelo crivo da experimentação. Os experimentos irão indicar uma das possibilidades abaixo:

  1. A ideia está errada, pois não corresponde à realidade observável.
  2. A ideia está correta, pois corresponde à realidade observável.
  3. A ideia ainda não pode ser comprovada, por falta de melhores recursos experimentais que a comprovem ou desaprovem.
  4. A pergunta que deu origem à ideia está formulada de forma correta, mas a interpretação de sua resposta experimental está incorreta.
  5. A pergunta que deu origem à ideia está formulada de forma errada, mas a interpretação de sua resposta experimental está correta.

Isso acaba virando um tremendo balaio de gatos, uma vez que pode-se obter conclusões corretas por meios errados, e conclusões erradas por meios corretos. Felizmente, existe a pesquisa incessante da ciência, para colocar os pingos nos devidos Is. Mas, muitas vezes, perceber a ilusão de uma resposta errada que se acredita estar certa pode levar décadas para ser entendida e finalmente corrigida. Isso acontece porque, muitas vezes, ao observamos um determinado fenômeno, não termos a tecnologia ideal para medir esse fenômeno. Então nos baseamos em dados probabilísticos para chegar a uma resposta mais ou menos correta. Outro problema é que, muitas vezes, ao observamos um determinado fenômeno, lhe atribuímos a uma causa errada, por acreditarmos que é essa causa, que geraria este fenômeno.

Mas, basicamente, se a ideia não pode ser comprovada plenamente, ou somente parte dela pode ser confirmada, ela, então, permanece apenas como teoria parcialmente filosófica e não totalmente científica.

Esse é o caso, por exemplo, da teoria Padrão, mais conhecida como teoria do Big Bang. Ela explica muitas coisas corretamente, isto é, muitas de suas respostas foram comprovadas experimentalmente. Mas, em compensação, deixa várias lacunas sem resposta, ou perguntas mal respondidas, criando mais perguntas sem respostas ou com respostas ainda não mensuráveis. Isso a coloca então, no halldas teorias mais filosóficas do que científicas, indicando que ela pode ser substituída futuramente por uma nova e melhor teoria.

Agora, se uma ideia for comprovadamente falha e não responder satisfatoriamente e plenamente a uma pergunta, ela pode ser definitivamente descartada e não se fala mais nisso, ok? Não adianta tentar ressuscitar um morto, e por mais fé que você tenha nessa teoria, ela não andará com os próprios pés. Então, descarte a teoria e tente criar uma nova e mais satisfatória.Teorias Político/Econômicas

As teorias Político/Econômicas são filosóficas ou são científicas?

Hummmmmmmm. Acho que agora, isso vai dar muito pano pra manga

Como eu expliquei lá em cima, toda teoria nasce filosoficamente, e só pode tornar-se uma teoria científica quando a colocamos sob a lupa da experimentação, para comprovarmos ou descartarmos a sua eficiência. Ou seja, se a teoria responde satisfatoriamente uma pergunta ou não, se ela pode ser aplicada satisfatoriamente ou não.

Atualmente, existem duas principais teorias Político/Econômicas: a teoria do Capitalismo de Adam Smith, e a Teoria do Socialismo de Karl Marx. Ambas, são teorias velhas, e talvez aí resida o problema, uma vez que sistemas econômicos são dinâmicos e não estáticos.A teoria do Capitalismo de Adam Smith

Adam Smith, quando criou suas teorias sobre o capitalismo, teve como base um sistema econômico, digamos, ainda na infância, que era fruto e ainda baseado em um mercantilismo nascido de um sistema feudalista moribundo. Tendo como base essas informações, ele desenvolveu uma teoria que, ao se tentar aplica-la, não condizia com a dinâmica do mercado. Eram teorias que, em sua maior parte, já nasciam ultrapassadas, e algumas vezes tornavam-se quase utópicas, sendo assim, apenas uma pequena parte de sua teoria era aplicável, ou seja, somente parte de sua teoria podia ser quantificada e passível de experimentação e comprovação.

Então, podemos chegar à conclusão que grande parte da teoria capitalista não funciona satisfatoriamente, pois se baseia em dados ultrapassados. Somente parte dela funciona e pode ser aplicada para explicar a mecânica do funcionamento do Sistema Econômico Capitalista, e por isso não consegue analisar e colocar o mecanismo em pleno funcionamento, para que ele possa evoluir para um sistema ideal econômico totalmente eficaz e não utópico.

A teoria do Capitalismo trava, e se trava, não pode evoluir para um sistema melhor, mais justo e mais eficaz.A Teoria do Socialismo de Karl Marx

Karl Marx e Engels perceberam as grandes falhas do sistema capitalista, mas não perceberam que estas falhas eram devido ao sistema capitalista, ser fruto do mercantilismo desenfreado e também não perceberam o principal, que um sistema econômico é algo dinâmico, algo que evolui.

Na tentativa de criarem um sistema mais justo, tendo por base as informações e os problemas não solucionados pelo sistema capitalista, eles criaram uma nova teoria, que Marx, ora chamava de teoria do socialismo, ora de teoria do comunismo. Para ele, socialismo e comunismo eram duas palavras que designavam a mesma coisa. Isso se torna evidente ao nos debruçarmos sobre os seus escritos teóricos.

A obra de Marx e Engels, foi, durante muito tempo, uma teoria puramente filosófica. Ou seja, sua teoria sobre o socialismo, quando foi apresentada, não havia ainda sido posta à prova, não passara por experimentação para validar ou invalidar as soluções apresentadas teoricamente.

Anos se passaram, e finalmente alguns países colocaram em prática as teorias de Marx. E o que se viu foi que as teorias de Marx eram lindas, maravilhosa, ideais, mas não funcionavam, não valiam nem mesmo o papel em que estavam escritas. Todos os países que tentaram implantar o socialismo tiveram que rapidamente achar soluções capengas que acabaram por descambar em ditaduras.

Na tentativa de salvarem a cara e, com isso, tentar preservar imaculado o nome de Marx e sua teoria impraticável, os adeptos da teoria socialista implantaram uma ditadura do proletariado na União Soviética, que desmoronou com o tempo, causando muito mais mal do bem ao povo soviético.

Em outros países, como Cuba e Coréia do Norte, ao perceberem que a teoria do socialismo não funcionava, instalaram em seu lugar, um regime tipicamente monarquista, onde o poder passa de pai para filho, no caso da Coréia do Norte, ou de irmão para irmão, no caso de Cuba.

Todos esses países, e é preciso deixar bem claro, comprovaram da pior forma possível que as teorias do socialismo eram impraticáveis. Mas, para não passarem vergonha, continuaram afirmando que eram sistemas socialistas mais melhorados, mais evoluídos, mais científicos, baseados nas teorias socialistas de Marx.

E muita gente acreditou nessas estorinhas

Então, em um lado, temos um sistema capitalista que não é absolutamente ideal; que trava, que faz pular as engrenagens do sistema econômico, causando problemas perigosos, e que não evolui. Mas, que mesmo assim, o usamos por falta de coisa melhor, e vamos empurrando com a barriga enquanto der. E, no outro lado, temos um sistema socialista que é impraticável, que não funciona nem com reza braba.

Acredito que está então, mais do que na hora, de nos conscientizarmos que nenhumas das duas teorias realmente possam evoluir para algo melhor. Precisamos criar novas teorias e testa-las, até encontrar alguma que realmente funcione e seja realmente dinâmica.

O povo da terra, encarecidamente, agradece.

Fonte:Sociedade Racionalista

Autor: Roberto das Neves

Roberto das Neves (Gilghamesh)
E-mail: robnev

FONTE: Bule Voador

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