Publicado por: Conselheiro Fnord | 16/12/2011

DISCORDIANISMO: Novas Religiões por Jefferson Nunes


Novas Religiões
Eterna Busca pelo Sagrado

Por Jefferson Nunes

Nesse capítulo, falaremos sobre algumas novas religiões que, por mais estranhas, curiosas e, às vezes, absurdas que pareçam, servem como alento para milhões de seguidores.

Discordianismo
Os anos 60 foram o período de maior inquietação comportamental e espiritual do século passado. Os hippies já haviam abraçado as religiões orientais, principalmente o Budismo, e, até mesmo, o Cristianismo Primitivo, que foi aplicado em algumas comunidades alternativas da época. Essa era uma forma de contestar o que eles chamavam de "sistema" e, ao mesmo tempo, de buscar formas alternativas às engessadas religiões vigentes.

O Discordianismo surgiu no começo da década de 1960 nos EUA como um aglomerado nonsense que unia mitologia grega, religiões orientais e Anarquismo. Os seguidores se definem como uma tribo de filósofos, teólogos, magos, cientistas, artistas, palhaços e maníacos similares que estão integrados com Éris, Deusa da Confusão e seus atos. Alguns autores definem o Discordianismo como uma espécie de "zen para ocidentais", o que converge com algumas das interpretações mais absurdas da escola Rinzai.

O livro "sagrado" do Discordianismo é o Principia Discordia (cujo nome completo é "A Deusa e o que fiz a Ela Quando Encontrei onde se Explica Absolutamente Tudo que Vale a Pena Saber Sobre Absolutamente Qualquer Coisa"). O livro teria sido escrito pelo profeta Malaclipse, o Mais Jovem. O tal profeta, na verdade, é um heterônimo utilizado por dois vagabundos pós-beatniks e pré-hippies chamados Greg Hill e Kerry Tornley que, supostamente, haveriam entrado em contato com a Deusa Éris, a deusa grega da discórdia.

O Principia começou a ser distribuído em escolas e universidades americanas, clandestinamente, em cópias mimeografadas. Com o passar dos anos, um verdadeiro culto se formou em torno da obra, gerando milhões de histórias esdrúxulas sobre seu conteúdo.

Um dos fundadores da religião, Kerry Tornley, teria sido colega de quarto de Lee Harvey Oswald, o famoso suposto assassino de Kennedy, e algumas das primeiras cópias do Discordia foram tiradas no escritório de Jim Garrisson, advogado que defendia a tese conspiratória do assassinato de JFK. Os membros mais antigos dizem que a saudação hippie com os dedos não passa de um plágio do cumprimento dos Discordistas – dois dedos pra cima e três para baixo, que representariam, segundo eles, 23, um número "sagrado" para a religião.

Eles também pregam que a única verdade absoluta é a de que não existem verdades absolutas. Apesar de muitas religiões venerarem os princípios de harmonia e ordem universal, o Discordianismo acredita que a desarmonia e o caos são aspectos da realidade igualmente válidos.

As páginas do Principia Discordia dão a entender que o Discordianismo foi fundado como uma antítese dialética às religiões mais populares, baseadas na ordem. O livro descreve o caos como um impulso essencial do universo. Segundo seus seguidores, o Discordianismo é uma forma de "equilibrar" as forças criativas de ordem e desordem, mas o foco principal está nos aspectos mais desordenados do mundo – sendo as forças de ordem descritas como vilãs.

A ideia de uma organização "discordiana" é, em si, uma contradição. Ainda assim, alguma estrutura aparece descrita no Principia Discordia. O grupo mais geral, presumivelmente incluindo todos os discordianos, é a Sociedade Discordiana, definida pelos termos de que "a Sociedade Discordiana não tem definição". Dentro da sociedade, existem sectos do Discordianismo, cada um sob a direção de um "Episkopos" – "supervisor", em grego – , que recebe direções diretamente de Éris, presumidamente, via sua glândula pineal. Para eles, um papa seria "cada homem, mulher e criança na Terra." Um dos maiores divulgadores dessa religião é Grant Morrisson, escritor e roteirista inglês que a apresenta de forma sutil na maioria de suas histórias e que criou, em 1995, uma série toda baseada nos princípios do Discordianismo, a HQ Os Invisíveis.

FONTE: http://www.edminuano.com.br/default.asp?acao=NOTICIA&cod_noticia=276

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