Publicado por: Conselheiro Fnord | 04/12/2009

Epicurismo: Princípios


Princípios: Epicuro e epicurismo

Os princípios enunciados por Epicuro e praticados pela comunidade epicurista resumem-se em evitar a dor e procurar os prazeres moderados, para alcançar a sabedoria e a felicidade. Cultivar a amizade, satisfazer as necessidades imediatas, manter-se longe da vida pública e rejeitar o medo da morte e dos deuses são algumas das fórmulas práticas recomendadas por Epicuro para atingir a ataraxia, estado que consiste em conservar o espírito imperturbável diante das vicissitudes da vida. Epicuro nasceu na ilha grega de Samos, no ano 341 a.C., e desde muito jovem interessou-se pela filosofia. Assistiu às lições do filósofo platônico Pânfilo, em Samos, e às de Nausífanes, discípulo de Demócrito, em Teos. Aos 18 anos viajou para Atenas, onde provavelmente ouviu os ensinamentos de Xenócrates, sucessor de Platão na Academia. Após diversas viagens, ensinou em Mitilene e em Lâmpsaco e amadureceu suas concepções filosóficas. Em 306 a.C. voltou a Atenas e comprou uma propriedade que se tornou conhecida como Jardim, onde formou uma comunidade em que conviveu com amigos e discípulos, entre os quais Metrodoro, Polieno e a hetaira Temista, até o fim de seus dias.

Segundo Diógenes Laércio, principal fonte de informações sobre Epicuro, o mestre desenvolveu sua filosofia em mais de 300 volumes, mas esse legado escrito se perdeu. Epicuro elaborou estudos sobre física, astronomia, meteorologia, psicologia, teologia e ética, mas do que escreveu só se conhecem três cartas e uma coleção de sentenças morais e aforismos. A física epicurista inspirou-se na doutrina de Demócrito e propõe um universo, infinito e vazio, que contém corpos constituídos de átomos, elementos indivisíveis que se acham em constante movimento. Contrapõe ao determinismo de Demócrito a tese segundo a qual esses átomos experimentam em seu movimento um desvio (clinamen) espontâneo, que explica a maior ou menor densidade da matéria que forma os corpos a partir das colisões e rejeições entre os átomos. Segundo Epicuro, a alma é uma entidade física, distribuída por todo o corpo. Quando o indivíduo morre, ela se desintegra nos átomos que a constituem. A percepção sensorial, por meio da alma, é a única fonte de conhecimento e, por isso, os epicuristas recomendavam o estudo da natureza para alcançar a sabedoria.

Para chegar à ataraxia, o homem deve perder o medo da morte. Como corpo e alma são entidades materiais, não existem sensações boas ou más depois da morte; assim, o temor da morte não se justifica. Epicuro aceitava a existência dos deuses, mas acreditava que eles estavam muito afastados do mundo humano para preocupar-se com este. Logo, o homem não tem porque temer os deuses, embora possa imitar sua existência serena e beatífica. De seus estudos científicos, Epicuro derivou uma filosofia essencialmente moral. À semelhança de outras correntes filosóficas da época, como o estoicismo e o ceticismo, suas concepções vieram ao encontro das necessidades espirituais de seus contemporâneos, preocupados com a desintegração da polis (cidade) grega. O prazer sensorial converteu-se na única via de acesso à ataraxia. Esse prazer, porém, não consiste numa busca ativa da sensualidade e do gozo corporal desenfreado, como interpretaram erroneamente outras escolas filosóficas e também o cristianismo, mas baseia-se no afastamento das dores físicas e das perturbações da alma. O maior prazer, segundo Epicuro, é comer quando se tem fome e beber quando se tem sede. O “tetrafármaco”, receita do mestre para a vida tranqüila, tem o seguinte teor: “O bem é fácil de conseguir, o mal é fácil de suportar, a morte não deve ser temida, os deuses não são temíveis.”

No ano 270 a.C., Epicuro morreu e tornou-se objeto de culto para os epicuristas, o que contribuiu para aumentar a coesão da seita e para conservar e propagar a doutrina. O epicurismo foi a primeira filosofia grega difundida em Roma, não apenas entre os humildes, mas também entre figuras importantes como Pisão, Cássio, Pompônio Ático e outros. O epicurismo romano contou com autores como Lucrécio e se manteve vivo até o princípio do século IV da era cristã, como poderoso rival do cristianismo. (©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.)

Definições

 

Epicurismo

n substantivo masculino

1 Rubrica: filosofia.

doutrina do filósofo grego Epicuro (341-270 a.C.) e seus epígonos, caracterizada por uma concepção atomista e materialista da natureza, pela busca da indiferença diante da morte e uma ética que identifica o bem aos prazeres comedidos e espirituais, que, por passarem pelo crivo da reflexão, seriam impermeáveis ao sofrimento incluído nas paixões humanas

2 Derivação: por extensão de sentido.

o modo de viver, de agir, de quem só busca o prazer; sensualidade, luxúria

3 Derivação: por extensão de sentido.

desregramento de costumes, falta de temperança; devassidão, libertinagem

Etimologia: antr. Epicuro (gr. Epíkouros, lat. Epicúros,i) + -ismo

n adjetivo e substantivo de dois gêneros

1 relativo a ou seguidor de Epicuro ou do epicurismo

2 Derivação: sentido figurado.

que ou quem procura os prazeres do amor, os deleites sensuais ou gastronômicos

 

antr. Epicuro (341-270 a.C., filósofo grego) + -ista

 

Sinônimos/Variantes: epicureu, epicúrio

n verbo

intransitivo

pensar ou viver segundo a doutrina de Epicuro ou à maneira dos epicuristas

Hedonismo

n substantivo masculino

1 Rubrica: ética.

cada uma das doutrinas que concordam na determinação do prazer como o bem supremo, finalidade e fundamento da vida moral, embora se afastem no momento de explicitar o conteúdo e as características da plena fruição, assim como os meios para obtê-la

1.1 Rubrica: ética.

no cirenaísmo, dedicação ao prazer dos sentidos, fundamento de todos os prazeres espirituais

1.2 Rubrica: ética.

no epicurismo, busca de prazeres moderados, únicos que não terminam por conduzir a sofrimentos indesejados

1.3 Rubrica: ética.

no utilitarismo, procura do prazer individual, que somente se plenifica por meio de sua extensão para o maior número possível de pessoas

2 Derivação: por extensão de sentido.

modo de vida inspirado no ou evocativo do hedonismo; dedicação ao prazer como estilo de vida

Ex.: o famigerado h. da civilização romana

3 Derivação: por extensão de sentido. Rubrica: psicologia.

teoria segundo a qual o comportamento animal ou humano é motivado pelo desejo de prazer e pelo de evitar o desprazer

adjetivo e substantivo de dois gêneros que ou aquele que é partidário do hedonismo ou que vive como se o fosse

adjetivo relativo a hedonismo e hedonista

elemento de composição

antepositivo, do gr. hédonê,ês ‘prazer, gozo’, aparece já em voc. gr.cl., como hedônico (hédonikós), já em poucos eruditismos do sXIX em diante: hedonal, hedonismo, hedonista, hedonístico

Cirenaísmo

Rubrica: filosofia.

doutrina formulada por Aristipo de Cirene (435-356 a.C.), que considera a busca imediata (sem adiamento) do prazer sensível ou sensual – fundamento de todos os prazeres ditos “espirituais” – a suprema finalidade ética da condição humana, sendo a felicidade nada mais do que o somatório de toda fruição pregressa, atual e futura

Utilitarísmo

substantivo masculino

1 método, maneira ou comportamento do que é utilitário ou utilitarista

2 Rubrica: ética.

teoria desenvolvida na filosofia liberal inglesa, esp. em Bentham (1748-1832) e Stuart Mill (1806-1873), que considera a boa ação ou a boa regra de conduta caracterizáveis pela utilidade e pelo prazer que podem proporcionar a um indivíduo e, em extensão, à coletividade, na suposição de uma complementaridade entre a satisfação pessoal e coletiva

Obs.: cf. benthamismo

u. direto

Rubrica: ética.

versão do utilitarismo que leva em consideração prioritariamente as escolhas individuais, no julgamento a respeito do caminho eticamente desejável para a maximização da felicidade; utilitarismo dos atos

Obs.: p.opos. a utilitarismo indireto

u. dos atos

Rubrica: ética.

m.q. utilitarismo direto

u. indireto

Rubrica: ética.

versão do utilitarismo que, considerando difícil precisar qual ação individual que levará, de fato, à intensificação máxima da felicidade, prioriza a escolha moral de regras preestabelecidas de conduta, instituições, deveres coletivos etc., capazes de gerar uma satisfação segura, não submetida às incertezas do destino

Obs.: p.opos. a utilitarismo direto

u. dos atos

Rubrica: ética.

m.q. utilitarismo direto

u. indireto

Rubrica: ética.

versão do utilitarismo que, considerando difícil precisar qual ação individual que levará, de fato, à intensificação máxima da felicidade, prioriza a escolha moral de regras preestabelecidas de conduta, instituições, deveres coletivos etc., capazes de gerar uma satisfação segura, não submetida às incertezas do destino

Obs.: p.opos. a utilitarismo direto

u. indireto

Rubrica: ética.

versão do utilitarismo que, considerando difícil precisar qual ação individual que levará, de fato, à intensificação máxima da felicidade, prioriza a escolha moral de regras preestabelecidas de conduta, instituições, deveres coletivos etc., capazes de gerar uma satisfação segura, não submetida às incertezas do destino

Obs.: p.opos. a utilitarismo direto

(Dicionário Houaiss)

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