Bishop recorreu à Justiça e conseguiu decisão favorável após nove meses.
Ele disse que usa o chapéu por motivos religiosos.

Homem ganha direito de usar chapéu de raposa em documento nos EUA (Foto: Reprodução)

Um americano do Oregon conseguiu na Justiça o direito de usar um chapéu de raposa na foto de sua carteira de motorista, segundo a TV local KATU 2.

O homem, que se identificou como Bishop (bispo, em inglês), disse que usa o chapéu por motivos religiosos.

Bishop argumentou praticar a religião dos Sete Tambores, em que todo integrante tem um "totem animal" – no seu caso, a raposa.

Proibido de usar a foto, ele foi à Justiça, e reverteu a decisão após 9 meses.

As autoridades disseram que, ao recusar a foto, estava cumprindo as regras.

Publicado por: Conselheiro Fnord | 09/03/2016

MUNDO DISCORDIANISTA: Os 12 apóstolos realmente existiram?

Na Bíblia, Jesus Cristo nomeou 12 apóstolos para espalhar seu evangelho. A igreja cristã primitiva deve a sua rápida ascensão ao zelo missionário destes escolhidos. No entanto, para a maioria deles, há poucas evidências de sua existência fora do Novo Testamento.

No livro “Apostle: Travels Among the Tombs of the Twelve” (“Apóstolo: viagens pelas tumbas dos doze”, em tradução livre), o autor Tom Bissell tenta descobrir se os Doze Apóstolos eram figuras históricas reais ou meramente personagens de uma história de ficção. Ele andou por mais de 800 quilômetros ao longo do Caminho de Santiago, no norte da Espanha, visitou o local onde Judas Iscariotes supostamente se enforcou e procurou em vão por um mosteiro misterioso no Quirguistão, onde os ossos do apóstolo Mateus supostamente foram enterrados. Foi uma viagem cheia de falsos começos, becos sem saída e enigmas não resolvidos que o deixaram tão perplexo quanto quando começou.

Em entrevista ao site da National Geographic, Bissell diz que não há evidência histórica da existência da maioria dos apóstolos. “Alguns dos nomes registrados no Novo Testamento são, provavelmente, de pessoas reais. Havia provavelmente um Pedro e um João, definitivamente um Tiago (o irmão de Jesus) e, provavelmente, um Tomás. Além disso, não há nada de histórico que verifique a existência deles além dos próprios evangelhos. Então, eu acho que eles são uma mistura de fato e ficção”, decreta.

Ele cita um dos grandes mistérios da história cristã primitiva: sabemos uma quantidade razoável de informações sobre Paulo e sabemos que Tiago, irmão de Jesus, era uma pessoa real. No entanto, nenhum deles é um membro dos Doze. “Então você tem essas doze pessoas que foram os primeiros seguidores de Jesus, mas não há nada sobre eles em qualquer fonte secular, exceto as cartas de Paulo, que mencionam Pedro e João”.

Onde Judas perdeu as botas?

Bissell iniciou sua busca em Jerusalém, no lugar onde acredita-se ser o descanso final de Judas Iscariotes. Para ele, a pergunta se Judas foi um personagem histórico real é “espinhosa”. “Segundo a tradição, embora as Escrituras não sejam claras sobre isso, Judas enforcou-se em um lugar chamado Hakeldama, no vale Hinom, que é um vale rochoso, desértico, na parte sul de Jerusalém. Quando você vai lá, realmente se sente como se fosse um lugar amaldiçoado. Esse é o poder dessas histórias. Você sente os séculos de ódio e desgosto para esta pessoa que traiu Jesus”, diz.

“Quanto a saber se Judas era real, eu acho que é provavelmente verdade que Jesus foi traído por alguém. Se o nome da pessoa era Judas é uma questão muito mais difícil. Eu suspeito que as linhas gerais da história de Judas, como os escritores dos evangelhos delinearam, é provavelmente fictícia. Em um monte de outras histórias de Jesus, os evangelistas parecem estar contando a mesma história. Mas com Judas, acho que eles tinham muito menos matéria-prima para trabalhar, então todos trataram dele à sua própria maneira. Isto sugere que ele era mais um personagem fictício do que uma pessoa real”, aponta.

A tumba de Mateus

O Quirguistão não é um lugar que a maioria de nós associa com histórias da Bíblia – ou com qualquer outra história. Mas foi lá que o autor procurou pela tumba de Mateus, um dos apóstolos. Ele explica que havia uma grande quantidade de cristãos na Ásia Central até a Idade Média. “De acordo com um mapa medieval da Espanha, as relíquias de Mateus foram enterradas em um lugar chamado ‘Mosteiro da Fraternidade Armênia’, que se acreditava ficar na margem do lago Issyk-Kul, um belo corpo de água no meio das montanhas do Quirguistão”, explica.

“Um arqueólogo russo alegou ter encontrado as relíquias em 2006, então eu saí para procurá-lo. Logo descobri que nunca tinha havido um monastério armênio lá, apenas um monastério russo do século 19. Mas foi uma das minhas viagens favoritas, porque foi muito difícil de encontrar e foi um dos lugares mais encantadores que já vi, embora minha busca para encontrar as relíquias de São Mateus tenha chegado ao fim em um anti-clímax”, lamenta.

O irmão (mais velho) de Jesus

Quanto a Tiago, irmão de Jesus, que não era um dos apóstolos, Bissell garante que há evidências de sua existência. Mais do que isso: segundo o autor, as evidências mostram que ele pode ter sido a segunda pessoa mais importante do cristianismo no primeiro século depois de Jesus. Em 2002, foi encontrado um ossuário em Jerusalém que, dizem, pertence a ele.

“Sabemos que Tiago, irmão de Jesus, era uma pessoa real. Ele é mencionado por Flavius ​​Josephus, um historiador judeu do primeiro século. Algumas pessoas dizem que o ossuário é real, mas a inscrição que supostamente diz ‘Tiago, irmão de Jesus’ em aramaico, não é. Ninguém encontrou seu corpo, mas ele era claramente uma figura bem conhecida no primeiro século. O fato de que Josephus e outras pessoas consideraram a destruição de Jerusalém pelos romanos como uma vingança divina pela morte de Tiago, que foi morto por volta de 66 dC logo antes da revolta judaica contra Roma, diz tudo o que você precisa saber sobre como ele era significativo”, afirma.

A grande questão acerca de Tiago é que ele, supostamente, era mais velho do que Jesus, o que desmentiria uma das principais crenças dos cristãos. “O problema com Tiago é que ele confunde tudo que os cristãos ortodoxos aceitam sobre o nascimento virginal. Se ele fosse irmão mais velho de Jesus, isso por si só é um grande problema, porque Maria supostamente era virgem quando teve Jesus. Eu suspeito que Tiago era real e que há uma boa chance de que ele fosse o irmão mais velho de Jesus, e que ele era a figura mais importante no cristianismo do primeiro século depois de Jesus. Mas o nascimento virginal não faz exatamente sentido. As leis conhecidas do universo normalmente não param de funcionar”, contesta.

Mesmo com a falta de evidências da existência real dos apóstolos, o autor destaca a importância das histórias bíblicas para a formação do mundo ocidental. “As histórias dos Doze Apóstolos são uma grande parte de como o mundo ocidental decidiu ensinar a si mesmo sobre o que se entende por comunidade e contação de histórias e pela verdade, amizade e lealdade”, afirma.

“Percebi que ficar bravo com as pessoas religiosas por acreditar no que elas acreditam é um pouco como ficar bravo com uma tempestade por deixar as coisas molhadas. A melhor posição é tentar encontrar um lugar onde todos podemos concordar sobre a importância do significado derivado da literatura ou de obras da imaginação. Eu sei que seria um insulto a maioria dos cristãos considerar o Novo Testamento como uma obra da imaginação. Mas eu não digo isso no sentido de que é tudo falso, mas sim no sentido de tirar consolo da tentativa de outra pessoa em colocar o universo em ordem. Talvez ser apenas uma história é a melhor coisa que (o Novo Testamento) pode ser”, define. [National Geographic]

Projeto de lei com esta proposta deve ser votado nesta quarta-feira na Alerj.
Para ser aprovado, precisa passar 2 vezes pelo plenário e sanção de Pezão.

Exames, como de ressonância magnética, são afetados com quedas de energia (Foto: Reprodução/TV TEM)
Hospitais no RJ podem ser obrigados a ter religião
do paciente no prontuário (Reprodução: TV TEM)

O médico pega o prontuário do paciente e lê: diabético, hipertenso e católico. Além dos detalhes relativos à saúde, as fichas médicas de hospitais particulares e públicos do Rio podem passar a ter, obrigatoriamente, a orientação religiosa do doente. É o que prevê um projeto de lei que deve ser votado nesta quarta-feira (2) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

A proposta pede ainda que haja a indicação de uma autoridade religiosa para "efeito de preferência no atendimento ministrado" e sugere que um familiar fique responsável por indicar a manifestação da orientação religiosa do parente, caso ele esteja impossibilitado.

A proposta é do deputado Silas Malafaia (PSD). Em sua justificativa para propor a lei, ele diz que os pacientes devem ter garantidos "não somente os cuidados com o corpo, como também os cuidados espirituais. A fé remove montanhas e é capaz de curar o espírito, auxiliando na cura do corpo".

De acordo com a Alerj, o projeto é o segundo de uma série de onze na Ordem do Dia e pode ser votado ainda nesta quarta-feira (2). Para ser transformado em lei é necessário que volte ao plenário para ser votado em segunda discussão e depois vá à sanção do governador Luiz Fernando Pezão.


Fiéis da igreja utilizam escorredor de macarrão na cabeça.
Igreja do Monstro do Espaguete Voador foi fundada em 2006.

A neozelandesa Karen Martyn, a primeira integrante da igreja do Monstro do Espaguete Voador (Monsevol) autorizada a celebrar casamentos, defendeu os princípios do pastafarianismo e convocou seus compatriotas a se somarem a este movimento religioso.

Fiéis da igreja utilizam escorredor de macarrão na cabeça (Foto: Darrick Fauvel/AP)
Fiéis da igreja utilizam escorredor de macarrão na cabeça (Foto: Darrick Fauvel/AP)

O pastafarianismo, ou igreja do Monstro do Espaguete Voador, é uma religião satírica fundada em 2006 nos Estados Unidos, cujos fiéis utilizam um escorredor de macarrão na cabeça, adulam os piratas e pensam que o universo foi criado por um espaguete voador.

A igreja do Monstro do Espaguete Voador foi reconhecida oficialmente na Nova Zelândia em dezembro de 2015, o que implica a autorização para celebrar casamentos.

Karen Martyn foi ordenada "Ministeroni", ou seja, celebrante da igreja encarregada de realizar os matrimônios.

Martyn disse que a igreja do Monstro do Espaguete Voador oferece aos seus adeptos as mesmas oportunidades que as outras religiões e negou que seja uma religião satírica.

"Formamos uma comunidade. Compartilhamos valores e queremos pertencer a algo, é a natureza humana", disse Martyn à AFP.

A "ministeroni" reconheceu, no entanto, que o humor forma parte da igreja, que entre outras coisas sustenta que no paraíso existe um vulcão de cerveja e que no inferno a cerveja está quente e sem gás.

O Deus venerado pelos fiéis "tem um monte de membros em forma de espaguetes com duas almôndegas de carne e dois olhos", segundo o site da igreja.

"Acreditamos que devemos rir de nós mesmos e rir de todos", sustenta Martyn.

"Nada é sagrado. Não há dogma. Temos nossas crenças, mas reconhecemos que é possível duvidar de todas as crenças", acrescenta.

As massas são "o principal alimento santo" dos fiéis da igreja e o escorredor seu chapéu tradicional.

A igreja nasceu nos Estados Unidos para se opor à difusão nas escolas da hipótese do Design Inteligente, uma teoria impulsionada pelos religiosos e conservadores sob a presidência de George W. Bush, situada no mesmo plano que a teoria da evolução.

Desde então se desenvolveu e se implantou em diversos países.

Em dezembro, o diretor dos serviços de estado civil da Nova Zelândia, Jeff Montgomory, decidiu que esta igreja cumpria os requisitos legais para celebrar casamentos.

Jovem ficou animado ao ver algo que parecia ser nota de US$ 20 na mesa.
Ao pegá-la, veio a decepção. Era um papel com uma mensagem religiosa.

Um atendente de um restaurante no estado do Kansas, nos EUA, ficou feliz ao achar que tinha "recebido" uma gorjeta generosa, mas, ao pegar a "cédula", percebeu que era, na verdade, um panfleto religioso no formato de uma nota de US$ 20.

Segundo a imprensa americana, o atendente Garret Wayman, de 17 anos, ficou animado quando viu algo que parecia ser uma nota de US$ 20 dobrada sob o ketchup, mas, quando a pegou, veio a decepção: era um papel com uma mensagem religiosa.

Atendente achou que tinha ganhado gorjeta de US$ 20, mas era apenas panfleto religioso (Foto: Reprodução/Twitter/Garret)Atendente achou que tinha ganhado gorjeta de US$ 20, mas era apenas panfleto religioso (Foto: Reprodução/Twitter/Garret)
Ao pegar a suposta cédula, veio a decepção. Era um papel com uma mensagem religiosa. (Foto: Reprodução/Twitter/Garret)Ao pegar a suposta cédula, veio a decepção. Era um papel com uma mensagem religiosa. (Foto: Reprodução/Twitter/Garret)

Fonte: g1.globo.com

Popularidade de ‘zuísmo’, inspirada em antiga crença suméria, tem menos a ver com fé e mais com atitude política; saiba por quê.

Da BBC Mundo

Em uma época de crise para muitas religiões, uma crença na Islândia conseguiu uma verdadeira façanha.

Nas últimas semanas, passou de 3 a 3 mil fiéis – quase 1% da população da ilha.

O "milagre" foi feito pelo "zuísmo", uma religião fundada em 2013 que, no papel, se baseia em uma das mais antigas: a dos sumérios, civilização politeísta que floresceu ao sul do que hoje é o Iraque, entre 5000 a.C. e 2000 a.C.

Mas, na prática, a religião é um protesto contra o pagamento obrigatório de impostos, por todos os cidadãos da Islândia – religiosos ou não – para sustentar igrejas do país.

Na Islândia, todos os cidadãos – mesmo os ateus ou agnósticos – têm de declarar uma religião e pagar um imposto que é redistribuído a congregações.

Em 2016, o taxa será de cerca US$ 80 (cerca de R$ 320) ao ano por contribuinte.

Quase 75% da população é filiada à igreja nacional da Islândia, a luterana, e há mais de 40 organizações religiosas que se qualificam para receber os "pagamentos a paróquias" que resultam da arrecadação do imposto.

Uma delas é o zuísmo, que foi registrado como uma religião oficial, ainda que minúscula, em 2013.

"O principal objetivo da organização", dizem os zuístas, "é que o governo derrogue qualquer lei que outorgue privilégios, financeiros ou de qualquer índole, às organizações religiosas, que sejam distintas dos oferecidos a outras organizações."

Os zuístas pedem ainda que se anule o registro da religião dos cidadãos.

Enquanto isso não ocorre, eles devolvem aos seus fiéis o imposto da religião pago ao governo.

Funciona assim: os cidadãos pagam o chamado "imposto de Deus" ao governo; a organização zuísta recebe do governo a sua parte e, depois, devolve o dinheiro do imposto a seus membros. Ou seja, os "fiéis" do zuísmo recebem de volta o dinheiro do imposto.

"Não perguntamos aos novos fiéis se acreditam nos deuses", disse à BBC Holger Simonsaen, um dos fundadores do zuísmo.

O estatuto do zuísmo diz que, quando alcançar seu objetivo, "a organização religiosa do zuísmo deixará de existir".

Politeísmo
Para se registrar como igreja, o zuísmo recuperou a crença dos sumérios.

Os sumérios – e agora os zuístas – tinham vários deuses. Os quatro principais são An, Ki, Enlil e Enki, deuses do céu, terra, vento e água, respectivamente.

"Acreditamos que o universo é controlado por um grupo de seres vivos com forma humana mas imortais, com forças sobrenaturais", diz o site da religião zuísta.

E há, na teoria, até "planos" de construir um ziggurat, ou templo.

Os fundadores da religião convidaram seus seguidores no Facebook a apresentar projetos, especificando que devem incluir "um auditório grande e salas menores para adoração e sacrifícios" e até "um parque ornamental de leões grandes e… um fosso para jacarés e um dragão".

Publicado por: Conselheiro Fnord | 03/12/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: Fui usado por Deus

Em 2013, na Sexta-feira Santa que antecede o Domingo de Páscoa, eu havia passado um alegre e longo dia em família na casa de uma das minhas tias preferidas. A morte de Jesus Cristo, de acordo com a tradição cristã daquele feriado, simboliza o perdão divino sobre os pecados da humanidade. O sangue de Cristo fora derramado na cruz do Calvário por sua culpa, minha culpa. Deus, o criador de todo o Universo, disposto a conceder sua misericórdia para salvar milhões de vidas pecaminosas, não teve outra escolha senão enviar o seu único filho para ser torturado e morto em nosso lugar. Esta é a maior demonstração de amor que alguém seria capaz de imaginar: permitir que o próprio filho seja abatido feito um animal e exibido em público como um pedaço de carne pendurada no açougue.

Porém, era estranho como eu não me sentia espiritualmente envolvido nisso. Talvez porque a minha namorada viera de muito longe para me encontrar, e pensar no sacrifício do nazareno era incompatível com as fantasias eróticas que tínhamos em mente (a sexta-feira pode até ser santa, mas eu não). No final da tarde, quando os últimos raios de sol formavam uma penumbra agradável, meus pais e a minha avó septuagenária, junto com minha namorada e eu, decidimos voltar para casa.

Optando por um atalho, tivemos que atravessar uma rua estreita onde um automóvel branco estava posicionado de modo irregular, obstruindo a nossa passagem. Meu pai, que já estava levemente inebriado pelo vinho, desceu do carro e saiu à procura do proprietário do veículo mal estacionado. A situação começou a ficar embaraçosa quando um homem, de feição grosseira e com um bafo de cachaça que teria asfixiado até o próprio demônio, disse em tom arrogante que, se meu pai não conseguia passar com o carro, que ele mesmo o faria. É claro que eu não permiti que um estranho sentasse a bunda no banco do motorista e fizesse alguma barbeiragem, assustando a minha avó que estava no carona.

Pedi em tom sério que ele não ousasse invadir o carro e tomasse distância de mim. A essa altura, minha mãe já havia acionado uma viatura policial e, para intimidar o bêbado problemático, desembolsou seu distintivo da Polícia Civil. Inesperadamente, como se eu tivesse sido atraído por um imã, dei um soco potente no sujeito, e senti uma dose de prazer ao vê-lo perder o equilíbrio e tombar. A mulher que me trouxe ao mundo nada fez além de exibir sua carteira de identificação policial, quando foi covardemente agredida pelo ogro. Eu poderia ter me transformado no Incrível Hulk, mas me concentrei para não piorar as coisas fazendo mais do que agir em defesa de quem me deu à luz. Entretanto, aquele dia teria um trágico desfecho se eu não tivesse enfrentado a cólera do meu pai. Quando me dei conta, ele já havia sacado a pistola que trazia consigo, e foi então que Deus me usou…

Pude impedir que o ogro problemático recebesse uns furos no corpo. A trilha sonora formada pela algazarra da vizinhança e pelos gritos de desespero da minha namorada não parava de tocar. Mesmo assim, fiz de mim uma muralha à frente do meu pai e dei um prazo para que o homem fugisse em seu veículo cantando pneu. “Você foi usado por Deus”, disse minha mãe emocionada. Ouvi a mesma frase centenas de vezes. Deus fez de mim um instrumento, e eu estava prestes a aceitar a missão de servi-lo daquele dia em diante, convencido da providência divina. Fui investido de algum poder sobrenatural, e fiz uso dele para cumprir o meu dever de preservar a reputação da minha família, a profissão de meus pais e a vida de um estranho.

Mas o Diabo não ficou contente ao perceber que eu seria um recruta a menos em seu exército. Afinal, ser usado por Deus significa impedir o assassinato de um homem? Significa fazer a coisa certa? Como Deus se atreve a reivindicar para si uma atitude que me pertence e que assumi como sendo da minha inteira responsabilidade? Passaram-se os dias e a fé em mim nutrida deu lugar ao mistério e à incerteza. Logo criei coragem para questionar os propósitos do Criador e só então descobri que não nasci para ser guiado por um ventríloquo.

Comer o fruto proibido me deu a chance de conhecer o bem e o mal, e uma vez que você descobre que as virtudes humanas não provêm de divindades, anjos ou demônios, o retorno ao antigo estado de escravidão se torna a vergonha da nossa espécie.

Ricardo Silas

Sou um livre pensador, ateu (cético). Faço estudos sobre o anarco-comunismo e as revoluções históricas. Sou reformista gradual em questões políticas. Aprendi a nunca ser um espectador da injustiça e da estupidez: o túmulo fornecerá muito tempo para o silêncio.

FONTE: http://www.bulevoador.com.br/2015/12/fui-usado-por-deus/

Publicado por: Conselheiro Fnord | 26/11/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: O buraco da agulha religioso

A religião pode ser interpretada como contos de fadas. Personagens contrastantes, rasos, maquiavélicos ou incrivelmente iluminados em sua sabedoria e humildade de espírito. Contracenando com cobras e burros falantes, anjos ameaçados de estupro, virgens que engravidam, carruagens que ascendem aos céus com fulgor, deuses disfarçados de cisnes para transar com moças virgens e amaldiçoar outras com cabeças de serpente por resistirem. Entretanto há outro ponto característico dos contos de fadas que associo à religião: Expectativas divinas para condições de humanidade.

A religião costuma exigir de seus fieis doutrinas e leis baseadas em pressupostos morais inatingíveis ao pobre cidadão comum que vai para o inferno por recolher lenha ao sábado, tomar café, passar a madrugada com pornografia e não ter pedir perdão por esses pecadinhos (HARAM!) antes de morrer. Aliás, dentro do cristianismo não existem proporções de pecado maior ou menor, não passam todos de pecado. Mentir possui o mesmo peso que matar, independente de quais sejam os motivos. Todos são condenados à boca insaciável do inferno.

Entretanto, como todo perspicaz ser vivente desta terra, o ser humano faz o que pode para encontrar “brechinhas” em suas leis para que possa exercer seus desejos, principalmente se possui um aval de status quo lhe garantindo privilégios que reles mortais não possuem. Nos casos comuns recriar gêneros musicais que possuem origem no mundanismo como “White metal, rock gospel, pagode gospel, funk gospel, forró gospel, eletrobrega gospel (?)” Já há . Esperando pornografia gospel, ácido gospel e strippers evangélicos (a).

Um caso realmente inusitado é a criação do primeiro sex shop islâmico halal em Londres e o dono do local afirma que seus líderes religiosos garantem a comercialização dentro das normas da Sharia. Será que junto ao vibrador vem um kit apedrejamento, mais uns disparadores de ácido, caso sua esposinha rebelde resista à suas investidas? Talvez uns 5 homens de brinde para o estupro coletivo? (com certeza o farão com muita verossimilhança). O vendedor garante que não há exposição de pornografia e que possui um público alvo voltado para casais que desejam incrementar sua vida sexual e prolongar o matrimônio.

Nos primeiros exemplos é engraçado ver as inúmeras tentativas destas pessoas se manterem fieis aos preceitos morais e doutrinais adaptando o que elas amam no aspecto mundano e purificando para as narinas do Senhor. Tanto no caso dos cristãos como do Sex Shop Halal não há nada intrinsecamente prejudicial, pelo contrário, é positivo que a vida sexual mesmo que a passos lentos, ainda ande. Entretanto, há espaço para compaixão: Estas pessoas realmente se obrigam a seguir regras limitando os aspectos experienciais que poderiam viver com intensidade e honestidade insistindo ao contorcionismo moral para que seus desejos sejam saciados dentro das possibilidades nos quais não há nenhuma “reprimenda” específica em seus livros sagrados. Se há milhares de anos não existia sex shop e por isso uma proibição não seria necessária, não importa. Se o livro sagrado ou a Sharia não condenam, não há porque proibir mesmo que por dedução lógica pareça incoerente com o contexto do texto completo.

Estas situações são extremamente inofensivas comparadas aos casos mais graves de “brechas” religiosas que permitem a liberdade dos mais poderosos que poucos tem acesso. Um dos mais chocantes é a milenar prática afegã chamada de Bacha Bazi no qual meninos jovens afeminados são maquiados, vestidos de mulheres, usando burca, peitos postiços para dançar entre homens ricos e mais velhos. Dançam cerca de 2 a 3 horas por 2 dólares e muitos após a farra dos “Sheikes” são abusados em hotéis ou suas casas de luxo. Os homens reconhecem apenas como um esporte. No Afeganistão, uma terra devastada pela guerra, recolher meninos novos das ruas não é uma tarefa difícil pela necessidade de comida, também pela indiferença, negação populacional e até das autoridades que isto ainda aconteça. O aspecto de brecha se encontra onde? Pelo fato que meninas dançarem dessa maneira é proibido pela lei islâmica e a Sharia, mas nada diz sobre meninos.

Há ainda algo bem controverso no mundo islâmico, um costume chamado Nikah mut‘ah que consiste em uma cerimônia de casamento privada com a intenção de duração de 2 a 3 dias. Esse costume divide sunitas e xiitas quanto a população em geral, pois alguns dizem que Maomé já havia proibido tal prática como também comer carne de jumento. A mulher deve ser casta, não pode ser virgem e após o divórcio precisa permanecer algum tempo sem ter relações sexuais. Ela não é escrava nem esposa. O que ela seria então nas grandes possibilidades de nuances numa sociedade que proíbe a prostituição e se vangloria que tal prestação de serviços não existe?

É muito recorrente o quanto religiosos e dogmáticos olham com censura para os infiéis, hereges merecedores do inferno dissimulados de crença e sinceridade, mas se banham na inveja e então fazem o possível para encontrar brechinhas em suas leis para compensar seus desejos reprimidos e obsessões proibidas. Há mais sabido ainda que quanto maior a proibição, maior a obsessão e consequentemente associação ao tema em qualquer situação cotidiana. Se o sexo é ruim, se deve persegui-lo de todas as formas, então há sexo por todos os lados, mas é ilícito e por uma “ironia” do destino que nada mais é que uma consequência lógica, só fomenta e alimenta o desejo de consumi-lo, obtê-lo e quando não se consegue, melhor impedir quem o faça.

O ocidente é sujo, que dá liberdade às mulheres e por isso decadente, entretanto não há nada tão sedutor, não é?! A hipocrisia das religiões é latente e ela se revela em cada expressão de uma liberdade no qual o afã se mascara e justíssimo entre os buracos do lençol. E todos estes esforços se originam no que nas noções idealizadas de um comportamento inatingível. Se fosse fácil, os esforços não seriam descomunais e a maior parte das pessoas conseguiria seguir tais ordens, ao invés de dissimulá-las com supostas auras de santidade.

Publicado por: Conselheiro Fnord | 25/11/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: POP

Campo de POP – Problema de outra pessoa

Em um breve resumo, seu problema não é meu, ou, aquilo que não me interessa, não existe. Isso é uma doença de comodismo da atual sociedade, que gera um reflexo do atual tempo que vivemos. Exemplo clássico, são aqueles mendigos que vemos nas ruas, extremamente magros ou drogados, que passamos por eles e apenas olhamos e dizemos, nossa, viramos para o outro lado e continuamos nossas vidas, ou como muitos, nem olhamos (não percebemos a existência do mesmo naquele local por causa de um campo de POP), pois não queremos saber que aquilo existe ao nosso lado.

A baixo um artigo muito bom retira do livro “Guia do Mochileiro das Galáxias – A vida, o universo e tudo mais de Douglas Adams que conta isso de uma mais engraçada porem verídica.

Campo de POP – Problema de outra pessoa

“Um POP é alguma coisa que não podemos ver, ou não vemos, ou nosso cérebro não nos deixa ver porque pensamos que é um problema de outra pessoa. É isso que POP quer dizer: Problema de Outra Pessoa. O cérebro simplesmente o apaga, como um ponto cego. Se você olhar diretamente para ele, não verá nada, a menos que saiba exatamente o que é.”

Campo de POP (Problema de Outra Pessoa) faz com que os problemas considerados alheios sejam completamente ignorados pelas pessoas que os veem, graças à tendência natural que temos aopoucosefudismo(termo técnico para a capacidade de não dar a mínima).

Os campos de POP estão presentes no nosso cotidiano em maior parte ao redor de repartições públicas, empresas de Telecom e ao redor de todo o resto do mundo, a partir do ponto de vista de um auto-proclamado sofredor.

Sofredores auto-proclamados são uma classe inteira de pessoas que têm a capacidade de criar campos de POP ao redor de absolutamente tudo, graças ao seu poder de auto-convencimento da suprema importância de seus problemas. Os problemas de absolutamente todo o resto do mundo são completamente banais e portanto ignoráveis em comparação ao deles. Este fenômeno é especialmente notado em meninas adolescentes, empregadas domésticas, pobres e outros pouco-mais-que-símios em geral. Também é conhecido como “a grama do vizinho é sempre mais verde” pelos mais otimistas.

Obviamente uma boa dose de campos de POP é necessária para uma vida saudável. Aqueles que se preocupam com todos os problemas de todo o mundo são chamados de mártires, loucos ou hipócritas.

FONTE: https://fuop.wordpress.com/2011/02/21/campo-de-pop-%E2%80%93-problema-de-outra-pessoa/

Publicado por: Conselheiro Fnord | 24/11/2015

MUNDO DISCORDIANISTA: Rússia proíbe Igreja da Cientologia

Justiça diz que igreja, registrada como marca comercial, viola lei.
Registrado desde 1994 no país, grupo reúne 10 mil fiéis e deve recorrer.

A justiça russa proibiu nesta segunda-feira (23) a Igreja da Cientologia no país, ao considerá-la uma violação à lei sobre a liberdade religiosa.

Um tribunal de Moscou afirmou que a Igreja da Cientologia, que é registrada na Rússia como uma marca comercial, não pode ser considerada uma organização religiosa, segundo a imprensa local. Dessa forma, o tribunal atendeu o pedido do Ministério da Justiça, que ordenou a dissolução da organização em até seis meses.

Representantes do grupo repudiaram hoje os argumentos do tribunal, negaram ter violado a lei federal russa e disseram que recorrerão.

"A decisão não é definitiva e entraremos com um recurso", disse um dos porta-vozes.

A Igreja da Cientologia, que é registrada na Rússia desde 1994, considera que sua dissolução viola os direitos de seus 10 mil fiéis no país.

Em agosto, a polícia iniciou um caso penal contra a organização por posse ilegal de equipamentos de escuta e recolhimento de informação sobre a vida privada das pessoas após uma inspeção em sua sede na capital russa.

Existem quatro confissões cunhadas como oficiais na Constituição russa – a religião ortodoxa, o islã, o budismo e o judaísmo -, embora também haja minorias católicas e protestantes, entre outras.

A Igreja da Cientologia, fundada na Califórnia em 1953 pelo escritor de ficção-científica Ronald Hubbard e que conta com famosos integrantes como os atores Tom Cruise e John Travolta, é proibida em vários países europeus.

FONTE: http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/11/russia-proibe-igreja-da-cientologia.html

"A Crença de um Homem é o Riso Incontrolável de Outro…"

Provérbio Discordianista

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